Santa Casa de Ourinhos (SP) — Prova 2022
Paciente de 30 anos, vítima de trauma torácico após acidente automobilístico com alta energia cinética e grande deformidade do veículo é admitido em prancha rígida e colar cervical, com sinais de franca insuficiência respiratória. Após entubação orotraqueal é realizado uma radiografia de tórax em sala de emergência ilustrada abaixo. A provável hipótese diagnóstica é:
Trauma torácico alta energia + insuficiência respiratória + RX alterado → considerar contusão pulmonar e hérnia diafragmática traumática.
Em trauma torácico de alta energia com insuficiência respiratória, a combinação de contusão pulmonar (que causa hipoxemia e infiltrados) e hérnia diafragmática traumática (que pode comprimir o pulmão e desviar estruturas) é uma lesão grave e comum, exigindo rápida identificação.
O trauma torácico de alta energia é uma causa significativa de morbimortalidade, e a insuficiência respiratória é uma complicação comum que exige reconhecimento e manejo imediatos. A contusão pulmonar traumática é a lesão parenquimatosa mais frequente, caracterizada por edema e hemorragia no parênquima pulmonar, resultando em hipoxemia e diminuição da complacência pulmonar. Sua gravidade é diretamente proporcional à extensão da área afetada. A hérnia diafragmática traumática, embora menos comum, é uma lesão grave que resulta da ruptura do diafragma devido ao aumento súbito da pressão intra-abdominal. Mais frequentemente ocorre no lado esquerdo. A presença de órgãos abdominais no tórax pode levar à compressão pulmonar, desvio mediastinal e comprometimento hemodinâmico e respiratório. O diagnóstico é frequentemente suspeitado pela radiografia de tórax, que pode mostrar elevação do hemidiafragma, presença de vísceras abdominais no tórax ou sonda nasogástrica em posição intratorácica. O manejo inicial desses pacientes envolve a estabilização das vias aéreas, respiração e circulação (ABC do trauma). A intubação orotraqueal e ventilação mecânica são frequentemente necessárias para pacientes com insuficiência respiratória grave. O tratamento definitivo da hérnia diafragmática é cirúrgico, enquanto a contusão pulmonar é manejada com suporte ventilatório, otimização da oxigenação e analgesia adequada, evitando sobrecarga hídrica.
A contusão pulmonar se manifesta na radiografia de tórax como opacidades irregulares e não segmentares, que podem ser unilaterais ou bilaterais, e geralmente se desenvolvem nas primeiras 6 horas após o trauma, atingindo o pico em 24-48 horas.
A suspeita surge com história de trauma de alta energia, dor torácica ou abdominal, dispneia, e achados como elevação do hemidiafragma, presença de alças intestinais ou outros órgãos abdominais no tórax na radiografia, ou desvio mediastinal.
A insuficiência respiratória precoce indica lesões graves, como contusão pulmonar extensa, pneumotórax hipertensivo, hemotórax maciço ou hérnia diafragmática, que requerem intervenção imediata para garantir a oxigenação e ventilação.
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