SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2018
Motorista, 42 anos, sofreu colisão frontal em seu carro. No momento do acidente, viajava a 60 km/h e estava sem cinto de segurança. Foi encaminhado à Emergência, pelo SAMU, queixando-se de dor no peito. Na avaliação primária intra-hospitalar, apresentava via aérea livre, murmúrio vesicular presente bilateralmente, ausculta cardíaca com sopro sistólico (+/4) e bulhas cardíacas normais. SatO2 = 96%, PA = 110 x 80 mmHg, pulso de 104 bpm, Glasgow = 15, hematoma superficial pré-esternal. Paciente não melhorou da dor após administração de nitratos e apresentava ECG com taquicardia sinusal. Qual o diagnóstico mais provável?
Trauma torácico fechado + dor persistente + taquicardia sinusal + sopro novo → Suspeitar de contusão miocárdica.
O paciente sofreu um trauma torácico fechado de alta energia (colisão frontal sem cinto), apresentando dor no peito, hematoma pré-esternal, taquicardia sinusal e um sopro sistólico novo. A ausência de melhora com nitratos e a estabilidade hemodinâmica inicial, mas com sinais de lesão cardíaca, apontam para contusão miocárdica.
A contusão miocárdica é uma lesão do músculo cardíaco causada por trauma torácico fechado, comum em acidentes automobilísticos de alta energia, especialmente quando o cinto de segurança não é utilizado. A força do impacto pode comprimir o coração entre o esterno e a coluna vertebral, resultando em dano celular miocárdico. É uma condição que exige alta suspeição clínica, pois suas manifestações podem variar de assintomáticas a arritmias graves e disfunção ventricular. O diagnóstico da contusão miocárdica é desafiador e baseia-se em uma combinação de fatores: mecanismo de trauma (colisão frontal, alta velocidade, sem cinto), sintomas (dor torácica persistente), achados do exame físico (hematoma pré-esternal, sopros novos) e exames complementares (ECG com taquicardia sinusal ou arritmias, elevação de troponinas, ecocardiograma). É crucial diferenciar de outras causas de dor torácica pós-trauma, como fraturas de costelas ou pneumotórax. O manejo inicial envolve monitorização cardíaca contínua para detectar arritmias, controle da dor e avaliação da função miocárdica. Embora a maioria dos casos seja autolimitada, alguns pacientes podem desenvolver complicações como arritmias sustentadas, insuficiência cardíaca ou ruptura miocárdica. Residentes devem estar atentos a esses sinais para garantir o diagnóstico precoce e o manejo adequado, evitando desfechos adversos.
Os sinais incluem dor torácica persistente, taquicardia sinusal, arritmias, alterações no ECG (não isquêmicas), elevação de enzimas cardíacas e, ocasionalmente, sopros cardíacos novos ou disfunção ventricular.
A contusão miocárdica é uma lesão direta do músculo cardíaco. Diferencia-se de tamponamento cardíaco (que cursa com choque obstrutivo e tríade de Beck) e infarto (que é isquêmico e geralmente sem trauma direto).
Mecanismos de trauma de alta energia, como colisões frontais sem cinto de segurança, aumentam significativamente a suspeita de contusão miocárdica devido ao impacto direto do tórax contra o volante ou painel.
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