CESUPA - Centro Universitário do Estado do Pará — Prova 2025
Um homem de 32 anos, vítima de explosão de caminhão em via pública, é encontrado pelo serviço de emergência pré-hospitalar com amputação traumática do membro inferior esquerdo na altura do terço distal da coxa. O paciente apresenta hemorragia arterial ativa no local da amputação, estando pálido, confuso e com sinais de perfusão periférica inadequada. Os sinais vitais no local mostram pressão arterial de 80/60 mmHg e frequência cardíaca de 130 bpm. A equipe de emergência avalia o uso de medidas de controle hemorrágico. Qual é a conduta mais adequada neste cenário?
Em hemorragia exsanguinante de extremidade, a aplicação imediata de um torniquete proximal é a medida prioritária para salvar a vida, seguindo o protocolo MARCH/XABCDE.
No trauma com hemorragia arterial maciça de extremidade, o controle mecânico do sangramento com torniquete é a prioridade absoluta, precedendo outras medidas do ABC. A estabilização hemodinâmica com fluidos ocorre secundariamente, durante ou após o transporte rápido ao hospital.
O manejo do paciente politraumatizado no ambiente pré-hospitalar evoluiu para priorizar o controle de hemorragias exsanguinantes, principal causa de morte evitável no trauma. Protocolos como o MARCH (Massive hemorrhage, Airway, Respiration, Circulation, Head injury/Hypothermia) ou XABCDE colocam o controle da hemorragia massiva (X) como a primeira e mais crucial intervenção. Em cenários de amputação traumática com sangramento arterial ativo, como o descrito, o paciente rapidamente evolui para choque hemorrágico grave (classe III ou IV), caracterizado por hipotensão, taquicardia acentuada e alteração do estado mental. Nesses casos, a compressão manual ou o uso de agentes hemostáticos tópicos são insuficientes. A aplicação de um torniquete comercial ou improvisado, posicionado proximalmente à lesão, é a medida mais eficaz e rápida para o controle definitivo do sangramento no pré-hospitalar. O objetivo é interromper o fluxo arterial para o membro, estancando a hemorragia e permitindo o transporte rápido do paciente para um centro de trauma para tratamento definitivo (damage control surgery). A reposição volêmica no local deve ser criteriosa (hipotensão permissiva), pois a administração excessiva de cristaloides antes do controle cirúrgico da hemorragia pode agravar o quadro por hemodiluição, hipotermia e deslocamento de coágulos.
O torniquete é indicado para hemorragias graves e incontroláveis em extremidades (braços ou pernas), especialmente em casos de amputação traumática, sangramento arterial em jato ou quando a compressão direta é ineficaz ou impraticável.
Após aplicar o torniquete o mais proximal possível no membro e apertá-lo até a parada do sangramento, deve-se anotar o horário da aplicação. O torniquete não deve ser afrouxado no ambiente pré-hospitalar, e o paciente deve ser transportado imediatamente para um centro de trauma.
As complicações estão relacionadas ao tempo de isquemia e incluem lesão neuromuscular, rabdomiólise, síndrome compartimental e, em casos extremos, perda do membro. No entanto, em uma hemorragia exsanguinante, o risco de morte supera em muito o risco de perda do membro.
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