Alvos Glicêmicos no Paciente Crítico em UTI

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2026

Enunciado

Paciente de 65 anos, pós-operatório de cirurgia abdominal de grande porte, está internado em UTI com sepse e necessidade de ventilação mecânica. Durante a internação, apresenta hiperglicemia persistente com glicemia capilar entre 200 e 250 mg/dL. A equipe avalia a melhor estratégia para controle glicêmico. Considerando as evidências atuais sobre controle da glicose em pacientes críticos, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) A hiperglicemia em pacientes críticos protege contra infecções e disfunção orgânica.
  2. B) Hipoglicemia grave em pacientes internados em UTI é rara e geralmente sem consequências neurológicas.
  3. C) A hiperglicemia de estresse em pacientes graves é benigna e não está associada a piora do prognóstico.
  4. D) O controle glicêmico ideal em pacientes críticos atualmente recomendado é manter a glicemia entre 140 e 180 mg/dL.
  5. E) O controle rígido da glicemia, mantendo níveis entre 80 e 110 mg/dL, reduz a mortalidade em pacientes criticamente enfermos.

Pérola Clínica

Alvo glicêmico no paciente crítico (UTI) = 140 a 180 mg/dL.

Resumo-Chave

O controle rigoroso (80-110 mg/dL) aumenta a mortalidade devido ao risco de hipoglicemia grave; o alvo moderado é mais seguro e eficaz em pacientes instáveis.

Contexto Educacional

A hiperglicemia no paciente crítico está associada a piores desfechos clínicos, como disfunção orgânica e infecções, mas a correção agressiva é perigosa. O consenso atual, baseado em evidências robustas, recomenda iniciar insulina se a glicemia for >180 mg/dL e manter os níveis entre 140-180 mg/dL. Essa estratégia equilibra a redução da toxicidade da glicose com a prevenção da hipoglicemia iatrogênica, que é um preditor independente de morte em UTI.

Perguntas Frequentes

O que é hiperglicemia de estresse?

É a elevação dos níveis de glicose em pacientes sem diagnóstico prévio de diabetes, causada pela liberação massiva de hormônios contra-reguladores (cortisol, catecolaminas) e citocinas pró-inflamatórias durante estados de doença grave, como sepse ou grandes cirurgias.

Por que não utilizar o controle rígido (80-110 mg/dL)?

O estudo multicêntrico NICE-SUGAR demonstrou que o controle glicêmico intensivo aumenta significativamente a incidência de episódios de hipoglicemia grave e a mortalidade em 90 dias, sem oferecer benefícios superiores ao controle moderado.

Como deve ser feita a monitorização da glicemia na UTI?

A monitorização deve ser frequente (inicialmente a cada 1-2 horas) através de glicemia capilar ou arterial. A insulinoterapia deve ser iniciada, preferencialmente por via endovenosa contínua, quando os níveis ultrapassam 180 mg/dL, visando a faixa de segurança.

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