AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2026
Paciente de 65 anos, pós-operatório de cirurgia abdominal de grande porte, está internado em UTI com sepse e necessidade de ventilação mecânica. Durante a internação, apresenta hiperglicemia persistente com glicemia capilar entre 200 e 250 mg/dL. A equipe avalia a melhor estratégia para controle glicêmico. Considerando as evidências atuais sobre controle da glicose em pacientes críticos, assinale a alternativa correta:
Alvo glicêmico no paciente crítico (UTI) = 140 a 180 mg/dL.
O controle rigoroso (80-110 mg/dL) aumenta a mortalidade devido ao risco de hipoglicemia grave; o alvo moderado é mais seguro e eficaz em pacientes instáveis.
A hiperglicemia no paciente crítico está associada a piores desfechos clínicos, como disfunção orgânica e infecções, mas a correção agressiva é perigosa. O consenso atual, baseado em evidências robustas, recomenda iniciar insulina se a glicemia for >180 mg/dL e manter os níveis entre 140-180 mg/dL. Essa estratégia equilibra a redução da toxicidade da glicose com a prevenção da hipoglicemia iatrogênica, que é um preditor independente de morte em UTI.
É a elevação dos níveis de glicose em pacientes sem diagnóstico prévio de diabetes, causada pela liberação massiva de hormônios contra-reguladores (cortisol, catecolaminas) e citocinas pró-inflamatórias durante estados de doença grave, como sepse ou grandes cirurgias.
O estudo multicêntrico NICE-SUGAR demonstrou que o controle glicêmico intensivo aumenta significativamente a incidência de episódios de hipoglicemia grave e a mortalidade em 90 dias, sem oferecer benefícios superiores ao controle moderado.
A monitorização deve ser frequente (inicialmente a cada 1-2 horas) através de glicemia capilar ou arterial. A insulinoterapia deve ser iniciada, preferencialmente por via endovenosa contínua, quando os níveis ultrapassam 180 mg/dL, visando a faixa de segurança.
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