Controle Glicêmico Hospitalar: Estratégias em AVC

IPSEMG - Instituto de Previdência dos Servidores de Minas Gerais — Prova 2021

Enunciado

Mulher de 62 anos foi levada ao Pronto-Socorro pelos familiares após apresentar queda da própria altura e parar de falar há cerca de 45 minutos. É portadora de diabetes mellitus tipo II e arterial sistêmica. Teve um acidente vascular cerebral isquêmico frontoparietal direito há 5 semanas e ficou com paresia do membro superior esquerdo. Faz uso domiciliar de enalapril 20mg de 12/12h, anlodipino 10 mg uma vez ao dia, metformina e gliclazida. Ao exame físico, PA: 170X102mmHg, FC: 80bpm. Estava alerta, mantinha a abertura ocular, porém não respondia aos comandos e apenas balbuciava palavras desconexas. Os exames respiratório e cardiovascular não apresentaram anormalidades. Apresentava hemiparesia direita, com aumento do tônus muscular, hiper-reflexia e desvio da rima labial para a esquerda. O eletrocardiograma realizado à admissão não apresentou anormalidades. Tomografia do crânio evidenciou área de encefalomalácia frontal direita. Após 72h da admissão, a paciente encontra-se na unidade de internação, está se alimentando pela via oral, com uma dieta pastosa.  Apresentou os seguintes valores de glicemia capilar: 6h: 198mg/dL; 11h: 265mg/dL; 17h: 301mg/dL; 23h: 238mg/dL. Recebeu doses de insulina regular para correção. Assinale a alternativa que apresenta a estratégia MAIS ADEQUADA para o controle glicêmico intra hospitalar nessa paciente.

Alternativas

  1. A) Insulina basal e bolus prandial.
  2. B) Insulina de ação rápida na bomba de infusão contínua. 
  3. C) Insulina de ação rápida para correção das glicemias.
  4. D) Reintrodução dos hipoglicemiantes orais de uso prévio.

Pérola Clínica

Em pacientes hospitalizados com DM2, comendo via oral e hiperglicemia, o esquema basal-bolus é o MAIS ADEQUADO.

Resumo-Chave

Em pacientes diabéticos hospitalizados, especialmente com condições agudas como AVC, o controle glicêmico com hipoglicemiantes orais é geralmente inadequado e arriscado. O esquema basal-bolus com insulina é o padrão-ouro para mimetizar a fisiologia pancreática e garantir um controle mais seguro e eficaz, minimizando flutuações e riscos de hipoglicemia.

Contexto Educacional

O controle glicêmico adequado em pacientes hospitalizados, especialmente aqueles com condições agudas como o Acidente Vascular Cerebral (AVC), é um pilar fundamental para otimizar os desfechos clínicos. A hiperglicemia intra-hospitalar, mesmo em pacientes sem diagnóstico prévio de diabetes, é um marcador de pior prognóstico e deve ser prontamente abordada. A complexidade do manejo reside na necessidade de equilibrar o controle rigoroso com a prevenção de hipoglicemia. Em pacientes diabéticos hospitalizados que estão se alimentando por via oral e apresentam hiperglicemia persistente, o esquema de insulina basal-bolus é a estratégia mais fisiológica e eficaz. Este regime consiste em uma dose de insulina de ação prolongada (basal) para cobrir as necessidades metabólicas basais e doses de insulina de ação rápida (bolus) antes das refeições para cobrir a ingestão de carboidratos, além de doses de correção para glicemias elevadas. Este método oferece flexibilidade e um controle mais preciso do que a insulina de correção isolada ou a manutenção de hipoglicemiantes orais, que são frequentemente inadequados ou contraindicados no ambiente hospitalar agudo. A reintrodução de hipoglicemiantes orais deve ser considerada apenas após a estabilização do paciente e a resolução da condição aguda, e sempre com cautela. A monitorização frequente da glicemia capilar é essencial para ajustar as doses de insulina e prevenir tanto a hiper quanto a hipoglicemia. A equipe de saúde deve estar atenta aos sinais de hipoglicemia e ter protocolos claros para seu manejo, garantindo a segurança do paciente durante todo o período de internação.

Perguntas Frequentes

Por que a hiperglicemia é prejudicial em pacientes com AVC?

A hiperglicemia em pacientes com AVC está associada a piores desfechos neurológicos, maior mortalidade e aumento do risco de complicações. Ela pode exacerbar o dano isquêmico cerebral, aumentar o edema e prejudicar a recuperação funcional.

Quando se deve suspender os hipoglicemiantes orais em pacientes hospitalizados?

Hipoglicemiantes orais devem ser suspensos na maioria dos pacientes hospitalizados com doenças agudas, especialmente aqueles com risco de insuficiência renal, instabilidade hemodinâmica, jejum prolongado ou que necessitam de controle glicêmico mais rigoroso. A metformina, por exemplo, é suspensa devido ao risco de acidose lática.

Qual a diferença entre insulina basal, bolus prandial e correção?

A insulina basal (ação prolongada) mimetiza a secreção basal de insulina do pâncreas, controlando a glicemia entre as refeições e durante o sono. O bolus prandial (ação rápida) é administrado antes das refeições para cobrir a glicemia pós-prandial. A insulina de correção (ação rápida) é usada para reduzir glicemias elevadas pontuais fora do horário das refeições.

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