Controle Glicêmico em Pacientes Hospitalizados Não Críticos

FBHC - Fundação de Beneficência Hospital de Cirurgia (SE) — Prova 2021

Enunciado

Considere o caso de um paciente de 65 anos, internado em Enfermaria devido a sintomas respiratórios por SARS-CoV-2, sem antecedentes de diabetes, apresentando glicemias de jejum entre 160-180 e entre 200-350 nos demais horários. De acordo com o último posicionamento oficial da Sociedade Brasileira de Diabetes sobre o Controle da Glicemia no Paciente Hospitalizado não crítico, a conduta mais adequada é:

Alternativas

  1. A) Iniciar infusão contínua de insulina para manter glicemia entre 80 - 140 mg/dL.
  2. B) Iniciar insulina basal e insulina de ação rápida para manter glicemia entre 140 - 180 mg/dL.
  3. C) Iniciar hipoglicemiante oral para manter glicemia entre 140 - 180 mg/dL.
  4. D) Iniciar insulina regular sliding scale para manter glicemia entre 140 - 180 mg/dl.
  5. E) Iniciar insulina basal e insulina de ação rápida para manter glicemia entre 80 - 140 mg/dL

Pérola Clínica

Paciente hospitalizado não crítico com hiperglicemia → Insulina basal-bolus, alvo glicêmico 140-180 mg/dL.

Resumo-Chave

Em pacientes hospitalizados não críticos com hiperglicemia (glicemia > 140 mg/dL), a terapia com insulina basal-bolus (insulina basal + insulina de ação rápida nas refeições) é a estratégia preferencial para atingir o alvo glicêmico de 140-180 mg/dL, conforme as diretrizes da SBD. A escala móvel isolada não é recomendada.

Contexto Educacional

O controle glicêmico em pacientes hospitalizados é um desafio clínico significativo, especialmente em cenários como a infecção por SARS-CoV-2, que pode exacerbar a hiperglicemia ou precipitar diabetes. A hiperglicemia hospitalar, mesmo em pacientes sem histórico prévio de diabetes, está associada a piores desfechos, incluindo maior risco de infecções, complicações e mortalidade. Portanto, um manejo adequado é crucial para a segurança do paciente. A fisiopatologia da hiperglicemia em pacientes internados envolve o aumento da resistência à insulina e da produção hepática de glicose devido ao estresse, inflamação, uso de corticosteroides e inatividade física. Para pacientes não críticos, as diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) recomendam um alvo glicêmico entre 140-180 mg/dL. A terapia de escolha é o regime basal-bolus, que mimetiza a secreção fisiológica de insulina, utilizando uma insulina de ação prolongada (basal) para cobrir as necessidades basais e uma insulina de ação rápida (bolus) antes das refeições. A conduta de iniciar insulina basal e insulina de ação rápida é superior à escala móvel isolada, que é reativa e não previne picos glicêmicos. O monitoramento regular da glicemia é essencial para ajustar as doses de insulina. O prognóstico melhora significativamente com um controle glicêmico rigoroso e individualizado, reduzindo as complicações associadas à hiperglicemia hospitalar.

Perguntas Frequentes

Qual o alvo glicêmico recomendado para pacientes hospitalizados não críticos?

Para pacientes hospitalizados não críticos, o alvo glicêmico recomendado é manter a glicemia entre 140 e 180 mg/dL.

Qual a estratégia de insulinoterapia preferencial para hiperglicemia em pacientes internados não críticos?

A estratégia preferencial é a terapia basal-bolus, que combina insulina basal (para cobrir as necessidades basais) com insulina de ação rápida antes das refeições (para cobrir a glicemia pós-prandial).

Por que a escala móvel de insulina não é a conduta mais adequada para pacientes hospitalizados não críticos?

A escala móvel é uma abordagem reativa que trata a hiperglicemia apenas após ela ocorrer, resultando em maior variabilidade glicêmica, risco de hipoglicemia e controle inadequado a longo prazo, sendo inferior à terapia basal-bolus.

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