SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025
Homem, 70 anos de idade, encontra-se internado em Unidade de Terapia Intensiva, há 10 dias, após cirurgia abdominal para correção de perfuração intestinal. Apresenta febre persistente, taquicardia e hipotensão, apesar de reposição volêmica adequada. Exames laboratoriais revelam leucocitose, acidose metabólica e níveis elevados de lactato. Culturas de sangue e secreção de ferida cirúrgica mostram crescimento de Acinetobacter baumanni, ainda sem resultado do antibiograma. O paciente está sob ventilação mecânica e suporte vasopressor. Com base no caso clinico, identifique, entre as medidas não farmacológicas apresentadas, a mais importante:
Sepse com foco cirúrgico → Controle de foco (desbridamento/drenagem) é a medida prioritária.
No manejo do choque séptico de origem cirúrgica, o controle do foco infeccioso (source control) é tão vital quanto a antibioticoterapia e a ressuscitação volêmica.
O manejo da sepse e do choque séptico baseia-se em três pilares: ressuscitação hemodinâmica, antibioticoterapia precoce e controle de foco. Em pacientes pós-operatórios com sinais de infecção na ferida e instabilidade, a presença de tecido desvitalizado ou coleções atua como um reservatório contínuo de mediadores inflamatórios e bactérias. O desbridamento cirúrgico remove a carga bacteriana e o tecido necrótico que impede a ação dos antibióticos e do sistema imune. Sem o controle adequado do foco, mesmo os antibióticos mais potentes falharão em reverter o estado de choque, pois a fonte da agressão permanece ativa.
O controle de foco envolve a identificação e o tratamento físico de um local de infecção. Isso inclui a drenagem de abscessos, o desbridamento de tecidos necróticos ou infectados, a remoção de dispositivos médicos potencialmente contaminados e a restauração da integridade anatômica (como fechar uma perfuração).
De acordo com as diretrizes da Surviving Sepsis Campaign, o controle de foco deve ser realizado o mais rápido possível após o diagnóstico, idealmente dentro das primeiras 6 a 12 horas, assim que a estabilização hemodinâmica inicial for alcançada.
O Acinetobacter baumannii é um patógeno multirresistente comum em ambientes de UTI. Ele tem grande capacidade de formar biofilmes e sobreviver em superfícies. O tratamento farmacológico é difícil, tornando o controle mecânico/cirúrgico do foco ainda mais crítico para a sobrevivência do paciente.
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