Sepse Abdominal: Importância do Controle de Foco

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2026

Enunciado

Homem de 66 anos, pós-operatório de colectomia por tumor, apresenta febre persistente, dor abdominal difusa, distensão e piora hemodinâmica. Chega à UTI com PA: 86x54 mmHg após 2 L de cristaloide, lactato: 4,7 mmol/L, leucócitos: 19.000/mm³ e PCR > 300 mg/L. Tomografia apresenta coleção sub-hepática de 6 cm com gás, sugerindo processo infeccioso ativo. Norepinefrina já em 0,15 mcg/kg/min com pouca melhora clínica. Qual é a conduta imediata mais adequada?

Alternativas

  1. A) Aumentar vasopressor até normalizar PA.
  2. B) Trocar antibiótico e observar por 24 h.
  3. C) Realizar controle de foco cirúrgico/percutâneo + antibiótico adequado.
  4. D) Usar corticoide em altas doses como primeira medida.
  5. E) Aguardar evolução clínica para decidir intervenção.

Contexto Educacional

A sepse abdominal pós-operatória é uma emergência crítica que exige reconhecimento imediato. No caso de um paciente pós-colectomia com instabilidade hemodinâmica e imagem sugestiva de abscesso (gás na coleção), a fisiopatologia envolve a liberação contínua de mediadores inflamatórios e endotoxinas na circulação sistêmica a partir do foco não controlado. As diretrizes do 'Surviving Sepsis Campaign' enfatizam que a identificação e o controle da fonte de infecção devem ocorrer o mais rápido possível, idealmente nas primeiras 6 a 12 horas. O atraso na intervenção cirúrgica ou percutânea está diretamente correlacionado com o aumento da mortalidade, independentemente da potência do esquema antibiótico utilizado. O manejo clínico envolve a estabilização hemodinâmica com cristaloides e vasopressores (norepinefrina) como ponte para a intervenção definitiva. O foco terapêutico deve ser a tríade: suporte orgânico, antibioticoterapia de amplo espectro e erradicação mecânica do foco infeccioso.

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