Controle de Danos Ortopédicos no Politraumatizado

UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2026

Enunciado

Homem, 22 anos de idade, vítima de colisão moto e auto, trazido pelo Corpo de Bombeiros ao pronto atendimento, apresentando trauma cranioencefálico, hemopneumotórax à D e deformidade em membro inferior direito e membro superior direito. Radiografias: fraturas fechadas da diáfise do fêmur D, do planalto tibial D, fratura-luxação bimaleolar do tornozelo D e do úmero distal D) Após estabilização clínica inicial na sala de emergência, qual é a conduta ortopédica mais adequada?

Alternativas

  1. A) Imobilização gessada e aguardar melhora clínica do paciente.
  2. B) Redução e fixação interna das fraturas com hastes, placas e parafusos.
  3. C) Fixação definitiva das fraturas e deformidades com método Ilizarov.
  4. D) Redução e estabilização das fraturas com fixadores externos transarticulares.

Pérola Clínica

Politrauma instável + múltiplas fraturas → Controle de Danos (Fixador Externo) > Fixação Definitiva.

Resumo-Chave

Em pacientes instáveis ou 'borderline', a prioridade é a estabilização rápida com fixadores externos para evitar o 'second hit' inflamatório da cirurgia definitiva prolongada.

Contexto Educacional

O manejo ortopédico do politraumatizado evoluiu do 'Early Total Care' para o 'Damage Control Orthopedics'. O objetivo primordial é salvar a vida, adiando procedimentos definitivos complexos até que a janela de oportunidade biológica seja alcançada. Pacientes com trauma cranioencefálico associado e lesões torácicas (como hemopneumotórax) são candidatos ideais para o DCO, pois a estabilização rápida das fraturas de ossos longos com fixação externa reduz a liberação de mediadores inflamatórios e embolia gordurosa, protegendo os pulmões e o cérebro já lesionados.

Perguntas Frequentes

O que define o Damage Control Orthopedics (DCO)?

É uma estratégia que prioriza a estabilização rápida de fraturas com fixadores externos em pacientes politraumatizados graves, visando minimizar o tempo cirúrgico, o sangramento e o estresse fisiológico inicial.

Por que evitar a fixação definitiva imediata no trauma grave?

A cirurgia definitiva prolongada pode causar um 'segundo golpe' (second hit) inflamatório, exacerbando a resposta sistêmica e aumentando drasticamente o risco de falência de múltiplos órgãos e SDRA.

Quando converter a fixação externa para interna?

A conversão deve ocorrer quando o paciente estiver fisiologicamente estável, geralmente entre o 5º e 10º dia, após a resolução da acidose, coagulopatia e hipotermia (tríade da morte).

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