TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2023
Paciente do sexo feminino, 45 anos de idade refere ser portadora de asma desde a infância, porém assintomática há vários anos. Relata que há cerca de um ano vem apresentando sintomas quase diários de tosse seca e sibilância, principalmente no período da manhã e à noite. Acorda pelo menos uma vez por semana com dispneia. Refere que ganhou peso de 15 kg em um ano. E quando apresenta sintomas, faz uso de xarope de salbutamol, com melhora dos sintomas. Como seria classificada a asma dessa paciente, em relação ao diagnóstico?
Sintomas >2x/sem + Despertar noturno + SABA >2x/sem + Limitação atividade: 3-4 critérios = Não Controlada.
O controle da asma é avaliado pelos sintomas nas últimas 4 semanas; a presença de sintomas diurnos frequentes e despertares noturnos classifica a asma como não controlada.
A avaliação do controle da asma é o pilar central para o ajuste terapêutico contínuo. O Global Initiative for Asthma (GINA) recomenda o uso de quatro perguntas clínicas simples sobre sintomas diurnos, despertares noturnos, uso de medicação de alívio e limitação de atividades. Pacientes com sintomas diários e despertares semanais enquadram-se na categoria de asma não controlada. Além do controle clínico, o médico deve avaliar fatores de risco para exacerbações futuras, como baixa função pulmonar (VEF1), histórico de intubações, tabagismo e comorbidades como a obesidade, que dificultam o manejo e aumentam a morbidade.
Segundo o GINA, a asma é considerada não controlada se o paciente apresentar 3 ou 4 dos seguintes critérios nas últimas 4 semanas: sintomas diurnos mais de duas vezes por semana, qualquer despertar noturno devido à asma, necessidade de medicação de resgate (SABA) mais de duas vezes por semana ou qualquer limitação de atividade física causada pela doença. No caso clínico, a paciente apresenta sintomas quase diários e despertares semanais, preenchendo os critérios.
A gravidade da asma é avaliada retrospectivamente com base no nível de tratamento necessário para manter o controle (ex: asma grave requer Step 4 ou 5). Já o controle refere-se ao estado clínico atual do paciente (sintomas, função pulmonar e risco de exacerbações) sob o regime de tratamento vigente. É possível ter uma asma grave que está bem controlada com a medicação correta.
A obesidade é um fator de risco importante para o mau controle da asma e para a gravidade da doença. Ela pode causar um fenótipo de asma mais resistente aos corticoides inalatórios, além de promover inflamação sistêmica e alterações mecânicas respiratórias (como redução da capacidade residual funcional) que mimetizam ou agravam os sintomas de dispneia e sibilância.
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