Avaliação do Controle da Asma e Manejo Terapêutico

USP/Ribeirão Preto - Exame Revalida — Prova 2019

Enunciado

Homem, 30 anos de idade, engenheiro, é encaminhado ao ambulatório para avaliação de tosse e crises de dispneia intermitentes há vários anos, que pioraram no último mês após começar a trabalhar na construção civil. Nega expectoração, rinorréia ou febre. Já sabe ter o diagnóstico de asma e faz uso de corticóide inalatório diariamente em dose baixa, além de salbutamol de demanda nas crises. Nos últimos 6 meses procurou o pronto-socorro 2 vezes por exacerbação de doença. Apresenta queixa de tosse seca praticamente diária com piora à noite e tem acordado cerca 2 vezes por semana com crises de dispnéia. Tem feito uso de salbutamol quase diariamente, e no último mês não está conseguindo praticar atividade física por piora dos sintomas. Acha que a piora dos sintomas está relacionada ao trabalho, pois tem trabalhado muito ultimamente em uma construção. Refere ter tomado apenas as vacinas da infância, a última aos 5 anos de idade. Refere ter 2 cachorros em casa e, por vezes, tem crises de espirros, que parecem desencadear crises de dispneia, ao brincar com eles.Ao exame clínico encontra-se em bom estado geral, eupneico, IMC = 24 kg/m², pressão arterial=120x76 mmHg; ausculta pulmonar com murmúrios vesiculares presentes e simétricos, com sibilos expiratórios raros. Semiologias cardíaca, abdominal e exame de membros sem alterações.Traz espirometria prévia de 1 ano atrás, quando passou em consulta ambulatorial pela última vez.a) Qual é o laudo do exame? b) Cite o nível de controle da doença e justifique sucintamente. \nc) Enumere 3 medidas não farmacológicas recomendadas no tratamento deste paciente.d) Cite o tratamento farmacológico recomendado para este paciente. \n

Alternativas

Pérola Clínica

Sintomas diários + despertares noturnos + uso frequente de SABA = Asma Não Controlada.

Resumo-Chave

O controle da asma é avaliado pelos sintomas nas últimas 4 semanas; a presença de múltiplos critérios de descontrole exige step-up terapêutico e revisão ambiental.

Contexto Educacional

O manejo da asma brônquica foca no nível de controle e na redução de riscos futuros. O paciente descrito apresenta asma não controlada (sintomas diários, despertares noturnos e limitação de atividades), apesar do uso de corticoide inalatório em dose baixa. A piora relacionada ao trabalho sugere asma ocupacional ou agravada pelo trabalho, exigindo investigação e controle ambiental. O tratamento deve seguir a lógica de 'step-up' terapêutico. Além do ajuste medicamentoso, é crucial verificar a técnica inalatória e a adesão, que são as principais causas de falha. Medidas não farmacológicas, como o controle de gatilhos e a atualização vacinal, complementam a terapia para prevenir exacerbações graves.

Perguntas Frequentes

Como é definido o nível de controle da asma pelo GINA?

O GINA avalia o controle com base em quatro critérios nas últimas 4 semanas: sintomas diurnos (>2x/semana), qualquer despertar noturno, necessidade de resgate (>2x/semana) e limitação de atividade. 0 critérios = controlada; 1-2 = parcialmente controlada; 3-4 = não controlada.

Quais medidas não farmacológicas são essenciais para este paciente?

As medidas incluem: 1) Higiene ambiental para reduzir alérgenos (ácaros, pelos); 2) Controle de exposição ocupacional (poeira de construção) com EPIs ou mudança de função; 3) Vacinação (Influenza/Pneumocócica) e educação sobre técnica inalatória.

Qual o ajuste farmacológico indicado para asma não controlada no Step 2?

Para um paciente em Step 2 (dose baixa de CI) não controlado, a conduta é o Step 3: associar um LABA à dose baixa de CI ou aumentar a dose do CI para moderada. A estratégia preferencial atual é o uso de CI-Formoterol como manutenção e resgate.

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