Videolaparoscopia: Contraindicações e Segurança Cirúrgica

HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2021

Enunciado

Assinale a alternativa que representa uma situação em que estaria contraindicada a abordagem cirúrgica videolaparoscópica.

Alternativas

  1. A) Apendicite aguda com choque séptico.
  2. B) Úlcera duodenal perfurada, com pneumoperitônio volumoso, pequena quantidade de líquido livre na cavidade abdominal e estabilidade hemodinâmica.
  3. C) Duodenopancreatectomia por neoplasia inicial da papila duodenal.
  4. D) Décimo primeiro dia de pós-operatório de retossigmoidectomia por neoplasia do sigmoide, com anastomose primária, sem ileostomia protetora, com diagnóstico de abscesso pélvico.
  5. E) Nenhuma das anteriores.

Pérola Clínica

Choque séptico grave → contraindicação relativa/absoluta para videolaparoscopia devido à instabilidade hemodinâmica e necessidade de controle rápido.

Resumo-Chave

A videolaparoscopia, embora minimamente invasiva, pode ser contraindicada em pacientes com instabilidade hemodinâmica grave, como no choque séptico, devido à dificuldade de controle rápido de sangramentos, manipulação de fluidos e efeitos do pneumoperitônio na fisiologia cardiovascular. A prioridade é a estabilização do paciente.

Contexto Educacional

A cirurgia videolaparoscópica revolucionou a abordagem de diversas condições cirúrgicas, oferecendo benefícios como menor dor pós-operatória, menor tempo de internação e melhor resultado estético. No entanto, sua indicação deve ser criteriosa, especialmente em situações de emergência. A avaliação da estabilidade hemodinâmica do paciente é um pilar fundamental para a decisão cirúrgica. O pneumoperitônio, essencial para a técnica laparoscópica, pode ter efeitos fisiológicos significativos, como aumento da pressão intra-abdominal, compressão da veia cava inferior, redução do retorno venoso e aumento da resistência vascular sistêmica, o que pode descompensar pacientes já instáveis. Em casos de choque séptico, onde a perfusão tecidual já está comprometida, esses efeitos podem ser deletérios, tornando a laparotomia aberta uma opção mais segura para controle rápido da fonte de infecção e ressuscitação. Portanto, embora a videolaparoscopia seja preferível em muitas situações, a presença de choque séptico grave com instabilidade hemodinâmica representa uma contraindicação, pois a prioridade é a estabilização do paciente e o controle rápido da fonte do choque, o que pode ser mais eficientemente realizado por via aberta em cenários de emergência extrema.

Perguntas Frequentes

Quais são as contraindicações absolutas da videolaparoscopia?

As contraindicações absolutas incluem instabilidade hemodinâmica grave, coagulopatia incontrolável, hérnia diafragmática com encarceramento de vísceras e pneumoperitônio prévio grave. O choque séptico é uma contraindicação relativa que pode se tornar absoluta dependendo da gravidade.

Por que o choque séptico contraindica a videolaparoscopia?

No choque séptico, a videolaparoscopia pode agravar a instabilidade hemodinâmica devido aos efeitos do pneumoperitônio (aumento da pressão intra-abdominal, compressão da veia cava inferior, aumento da resistência vascular sistêmica) e à dificuldade de acesso rápido para controle de sangramentos ou contaminação em um paciente já crítico.

Em quais situações de emergência abdominal a videolaparoscopia é indicada?

A videolaparoscopia é frequentemente indicada em apendicite aguda não complicada, colecistite aguda, úlcera perfurada com estabilidade hemodinâmica e abdome agudo inflamatório ou obstrutivo selecionado, oferecendo menor dor e recuperação mais rápida.

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