Contraindicações e Mitos no Transplante Renal

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2024

Enunciado

Analise as afirmativas: I. O transplante renal é contraindicado em usuários de drogas venosas. II. O transplante renal com doador vivo não pode ser realizado entre pessoas de diferentes grupos AB0. III. O lúpus eritematoso sistêmico tem alta taxa de recorrência no enxerto renal e é causa frequente de perda do mesmo. Pode-se afirmar que está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s):

Alternativas

  1. A) I e III.
  2. B) II.
  3. C) I.
  4. D) II e III.

Pérola Clínica

Drogas IV ativas = contraindicação; AB0 incompatível e Lúpus não impedem o transplante.

Resumo-Chave

O uso ativo de drogas ilícitas venosas é contraindicação ao transplante devido ao risco de não adesão e infecções. O transplante AB0 incompatível é possível com desensibilização, e o Lúpus tem baixa taxa de perda de enxerto.

Contexto Educacional

O transplante renal é o tratamento de escolha para a maioria dos pacientes com doença renal crônica terminal. A seleção de candidatos exige uma avaliação criteriosa de comorbidades e fatores psicossociais. Contraindicações absolutas incluem neoplasias malignas não tratadas, infecções ativas incuráveis e condições psiquiátricas ou sociais que impeçam a adesão ao tratamento. A evolução da medicina de transplantes permitiu que barreiras antes intransponíveis, como a incompatibilidade AB0 e o Lúpus, fossem superadas. Atualmente, o foco está na otimização da imunossupressão e na vigilância de doenças virais e metabólicas pós-transplante, garantindo que a sobrevida do paciente e do enxerto seja maximizada mesmo em cenários de alta complexidade imunológica.

Perguntas Frequentes

Por que o uso de drogas venosas é contraindicação ao transplante?

O uso ativo de drogas venosas é considerado uma contraindicação relativa ou absoluta, dependendo do centro, principalmente devido ao alto risco de não adesão ao regime rigoroso de imunossupressão, o que leva à perda do enxerto por rejeição. Além disso, há riscos aumentados de infecções graves (HIV, Hepatites, endocardite) e complicações psicossociais que comprometem o sucesso do procedimento a longo prazo.

É possível realizar transplante renal entre grupos sanguíneos diferentes?

Sim, o transplante renal AB0 incompatível é uma realidade clínica. Embora o ideal seja a compatibilidade, protocolos modernos de desensibilização que incluem plasmaférese, imunoadsorção e o uso de anticorpos monoclonais (como o Rituximabe) permitem neutralizar os anticorpos anti-A ou anti-B do receptor, possibilitando o transplante com taxas de sobrevida do enxerto comparáveis aos transplantes compatíveis.

Qual o prognóstico do paciente com Lúpus que recebe transplante renal?

Pacientes com insuficiência renal terminal por nefropatia lúpica têm excelente prognóstico pós-transplante. A taxa de recorrência histológica do lúpus no enxerto é baixa (cerca de 2-10%) e a perda do enxerto devido à recorrência é extremamente rara (menos de 2%). A própria imunossupressão utilizada para evitar a rejeição do órgão costuma manter a atividade lúpica sistêmica sob controle.

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