Critérios de Seleção de Doador para Transplante de Córnea

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2008

Enunciado

Qual das situações abaixo, relacionadas com o doador, representa contraindicação absoluta para utilização da córnea em transplantes?

Alternativas

  1. A) Rubéola congênita
  2. B) Diabetes melito
  3. C) Herpes simples (IgG positivo e IgM negativo)
  4. D) Cicatriz de retinocoroidite

Pérola Clínica

Rubéola congênita = Contraindicação absoluta para doação de córnea devido ao risco de transmissão viral.

Resumo-Chave

Doenças virais sistêmicas com potencial de persistência tecidual, como a rubéola congênita, impedem a doação de córneas para garantir a segurança do receptor e evitar a transmissão de patógenos.

Contexto Educacional

A seleção de doadores para transplante de córnea é regida por normas técnicas nacionais e internacionais que visam minimizar o risco de transmissão de doenças infecciosas e garantir a viabilidade do enxerto. A córnea, por ser um tecido avascular, possui um 'privilégio imunológico', mas isso não a isenta de carregar partículas virais ou células neoplásicas. O residente deve saber diferenciar contraindicações que afetam a saúde do receptor (infecções) daquelas que afetam apenas a qualidade visual do enxerto (como astigmatismo ou baixa contagem celular). A rubéola congênita entra no grupo de alto risco biológico, enquanto alterações degenerativas ou cicatriciais posteriores (retina/coroide) são geralmente aceitáveis, desde que o segmento anterior esteja preservado.

Perguntas Frequentes

Por que a rubéola congênita é contraindicação absoluta?

A rubéola congênita é considerada uma contraindicação absoluta para a doação de tecidos oculares devido à persistência do vírus da rubéola em diversos tecidos do corpo, incluindo o olho, por períodos prolongados. O risco de transmissão do vírus viável para o receptor do transplante é real e pode causar complicações sistêmicas ou oculares graves. Os protocolos de Bancos de Olhos são extremamente rigorosos quanto a doenças virais de transmissão sistêmica ou de etiologia desconhecida (como a doença de Creutzfeldt-Jakob), priorizando a segurança biológica do procedimento acima da necessidade de tecidos.

Diabetes melito impede a doação de córnea?

Não, o diabetes melito não é uma contraindicação absoluta para a doação de córnea. Embora o diabetes possa afetar a densidade de células endoteliais e a velocidade de cicatrização epitelial em alguns casos, muitas córneas de doadores diabéticos são perfeitamente saudáveis e viáveis para transplante. A avaliação é feita individualmente através da biomicroscopia e da microscopia especular no Banco de Olhos. Se a contagem celular e a integridade estromal estiverem dentro dos padrões de qualidade, o tecido pode ser utilizado normalmente, especialmente em transplantes lamelares ou tectônicos.

Quais outras condições excluem um doador de córnea?

As contraindicações absolutas incluem infecções sistêmicas graves (HIV, Hepatites B e C, HTLV), sepse ativa, raiva, doenças neurodegenerativas de provável origem viral (como Jakob-Creutzfeldt), leucemias e linfomas ativos, e morte de causa desconhecida. No âmbito ocular, cirurgias prévias que comprometam a integridade da córnea (como cirurgia refrativa em alguns protocolos ou ceratoplastias prévias) e tumores malignos do segmento anterior também excluem o doador. Já condições como cicatrizes de retinocoroidite posterior (ex: toxoplasmose antiga) não impedem o uso da córnea, pois não afetam a qualidade do tecido corneano nem representam risco de transmissão pelo enxerto avascular.

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