Tratamento de Fogachos em Pacientes com Contraindicação à TH

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Regina, 53 anos, G2P2 (partos vaginais), refere que sua última menstruação ocorreu há 2 anos. Procura atendimento queixando-se de ondas de calor intensas ("fogachos") que ocorrem diversas vezes ao dia e durante a noite, prejudicando significativamente seu sono e desempenho laboral. Em sua história patológica pregressa, destaca-se um episódio de trombose venosa profunda (TVP) em membro inferior esquerdo há 4 anos, após cirurgia ortopédica, tendo realizado tratamento com anticoagulante por 6 meses sem intercorrências. Ao exame físico, apresenta-se em bom estado geral, com IMC de 26 kg/m² e pressão arterial de 125/80 mmHg. Traz os seguintes resultados de exames complementares: | Exame | Resultado | Valor de Referência | | :--- | :---: | :---: | | FSH | 62 mUI/mL | > 30 mUI/mL (pós-menopausa) | | Glicemia de jejum | 88 mg/dL | 70 - 99 mg/dL | | Espessura endometrial (USG) | 3,2 mm | < 5,0 mm | | Mamografia | BI-RADS 2 | Achados benignos | Considerando o quadro clínico e os antecedentes da paciente, a opção terapêutica mais adequada para o alívio dos sintomas vasomotores é:

Alternativas

  1. A) Tibolona 2,5 mg.
  2. B) Desvenlafaxina 50 mg.
  3. C) Estrogênios conjugados 0,625 mg associados a Medroxiprogesterona 5 mg.
  4. D) Estriol em creme vaginal.

Pérola Clínica

História de TVP/TEP = Contraindicação ABSOLUTA à terapia hormonal sistêmica com estrogênio.

Resumo-Chave

Em pacientes com contraindicação à TH (como TVP prévia), os inibidores seletivos da recaptação de serotonina/noradrenalina (ex: desvenlafaxina) são a primeira linha para fogachos.

Contexto Educacional

O manejo da menopausa exige uma avaliação rigorosa de riscos e benefícios. A Terapia Hormonal (TH) é o padrão-ouro para sintomas vasomotores, mas possui contraindicações clássicas: câncer de mama ou endométrio, doença hepática ativa, sangramento vaginal de causa desconhecida, porfiria e, crucialmente, doenças tromboembólicas ou cardiovasculares agudas/prévias. Para essas pacientes, o arsenal terapêutico inclui antidepressivos (venlafaxina, desvenlafaxina, paroxetina), gabapentinoides e, mais recentemente, antagonistas do receptor de neuroquinina-3 (fezolinetant). A escolha deve focar na segurança cardiovascular e na melhora da qualidade de vida, sempre respeitando as evidências de segurança para cada perfil clínico.

Perguntas Frequentes

Por que a TH é contraindicada em quem teve TVP?

O estrogênio, especialmente por via oral, aumenta a síntese hepática de fatores de coagulação e reduz proteínas anticoagulantes naturais (como a Proteína S). Em mulheres com histórico de fenômenos tromboembólicos, esse efeito pró-coagulante eleva significativamente o risco de recorrência de Trombose Venosa Profunda (TVP) ou Embolia Pulmonar (TEP). Portanto, qualquer história prévia de tromboembolismo venoso é considerada uma contraindicação absoluta para a terapia hormonal sistêmica.

Qual o papel da desvenlafaxina no climatério?

A desvenlafaxina é um Inibidor Seletivo da Recaptação de Serotonina e Noradrenalina (ISRSN) que atua no centro termorregulador hipotalâmico. Ela demonstrou eficácia na redução da frequência e intensidade dos fogachos em mulheres que não podem ou não desejam usar hormônios. É uma excelente opção para pacientes com histórico de câncer de mama ou eventos cardiovasculares/tromboembólicos.

O estriol vaginal pode ser usado em pacientes com TVP?

Sim, o estriol ou estradiol em baixas doses por via vaginal é indicado para o tratamento da síndrome geniturinária da menopausa (atrofia vulvovaginal). Como a absorção sistêmica é mínima nessas doses, ele geralmente é considerado seguro mesmo em pacientes com contraindicações à TH sistêmica, embora a decisão deva ser individualizada e discutida com a paciente.

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