Hepatectomia: Contraindicações e Avaliação Pré-Operatória

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2021

Enunciado

Marque a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) O remanescente hepático após hepatectomia pode ser de até 20%, independentemente da doença de base.
  2. B) Pacientes cirróticos não podem ser submetidos a hepatectomia, em nenhuma hipótese.
  3. C) Em casos de hipertensão portal clinicamente significativa, traduzida pela presença de varizes esofágicas, é contraindicada a realização de hepatectomia.
  4. D) A regeneração hepática não é impactada pela presença de colestase.
  5. E) Nas hepatectomias por neoplasia da confluência dos dutos hepáticos, não é necessária drenagem prévia da via biliar.

Pérola Clínica

Hipertensão portal clinicamente significativa (varizes esofágicas) contraindica hepatectomia devido ao alto risco de descompensação.

Resumo-Chave

A presença de hipertensão portal clinicamente significativa, evidenciada por varizes esofágicas, é uma contraindicação importante para a hepatectomia. Isso se deve ao risco elevado de descompensação hepática, sangramento e outras complicações pós-operatórias em um fígado já comprometido.

Contexto Educacional

A hepatectomia é um procedimento cirúrgico complexo para ressecção de parte do fígado, frequentemente indicada para tumores primários ou metastáticos. A segurança e o sucesso da cirurgia dependem criticamente da avaliação pré-operatória da função hepática residual e do volume do remanescente hepático. A fisiopatologia da cirrose e da hipertensão portal é central para a decisão cirúrgica. A hipertensão portal, caracterizada pelo aumento da pressão na veia porta, é um sinal de doença hepática avançada e está associada a complicações como varizes esofágicas, ascite e encefalopatia. A presença de varizes esofágicas indica hipertensão portal clinicamente significativa e um risco substancialmente elevado de descompensação hepática e sangramento pós-hepatectomia. A avaliação pré-operatória deve incluir exames de imagem para estimar o volume hepático e testes de função hepática. Em pacientes com cirrose, a hepatectomia é geralmente contraindicada devido ao risco de insuficiência hepática. A drenagem biliar prévia em casos de colestase obstrutiva, como em tumores da confluência dos dutos hepáticos (tumor de Klatskin), é frequentemente necessária para otimizar a função hepática e reduzir complicações infecciosas antes da cirurgia, ao contrário do que a alternativa E sugere.

Perguntas Frequentes

Qual o volume mínimo de remanescente hepático seguro para hepatectomia?

O volume mínimo de remanescente hepático varia. Em fígados normais, 20-25% do volume total é geralmente aceitável. Em fígados com doença subjacente (esteatose, cirrose), um remanescente maior, como 30-40% ou mais, é necessário para garantir a função pós-operatória.

Por que a hipertensão portal com varizes esofágicas é uma contraindicação para hepatectomia?

A hipertensão portal indica um fígado com fibrose avançada e função comprometida. A hepatectomia nesses pacientes aumenta drasticamente o risco de insuficiência hepática pós-operatória, ascite refratária, sangramento de varizes e descompensação da cirrose.

A colestase impacta a regeneração hepática?

Sim, a colestase pode prejudicar a regeneração hepática. A obstrução biliar e a inflamação associada podem levar a danos hepatocelulares e fibrose, comprometendo a capacidade do fígado de se regenerar após a ressecção.

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