Cirurgia Bariátrica: Contraindicações Psiquiátricas e Avaliação

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 28 anos, faxineira, com índice de massa corporal (IMC) de 42 kg/m2, busca tratamento para obesidade mórbida. Ela possui um histórico de tentativas frustradas de perda de peso por meio de dieta, exercícios e terapia comportamental. A paciente apresenta hipertensão arterial e síndrome da apneia obstrutiva do sono, ambas controladas. É também diabética, controlada com medicação oral e tem distúrbio de ansiedade. Relata passado de alcoolismo. Após uma avaliação detalhada por uma equipe multidisciplinar, é sugerida a realização de cirurgia bariátrica. Considerando a avaliação pré-operatória e os critérios para a indicação da cirurgia bariátrica, qual das seguintes condições representa uma CONTRAINDICAÇÃO RELATIVA que deve ser cuidadosamente considerada antes da realização do procedimento?

Alternativas

  1. A) Diagnóstico de transtorno de ansiedade não controlado.
  2. B) Histórico de alcoolismo em abstinência há 6 meses.
  3. C) Nível de escolaridade baixo, dificultando a adesão a orientações pós-operatórias.
  4. D) Presença de diabetes mellitus tipo 2 controlada com medicação oral.

Pérola Clínica

Transtorno psiquiátrico não controlado (ex: ansiedade, depressão, alcoolismo ativo) → contraindicação relativa/absoluta para cirurgia bariátrica.

Resumo-Chave

Transtornos psiquiátricos não controlados, como o transtorno de ansiedade, são contraindicações relativas para cirurgia bariátrica, pois podem comprometer a adesão do paciente ao tratamento pós-operatório e aos novos hábitos de vida, impactando negativamente os resultados a longo prazo.

Contexto Educacional

A cirurgia bariátrica é uma ferramenta eficaz para o tratamento da obesidade mórbida e suas comorbidades, mas exige uma avaliação pré-operatória rigorosa por uma equipe multidisciplinar. Esta avaliação visa identificar não apenas as indicações clínicas, mas também as contraindicações, sejam elas absolutas ou relativas, que podem comprometer o sucesso do procedimento a longo prazo. Transtornos psiquiátricos não controlados, como depressão grave, transtornos alimentares ativos (bulimia, transtorno da compulsão alimentar periódica não tratado) e transtornos de ansiedade significativos, são consideradas contraindicações relativas. Isso ocorre porque a cirurgia bariátrica impõe mudanças drásticas no estilo de vida, na alimentação e na imagem corporal, que podem ser desafiadoras para pacientes com saúde mental fragilizada, podendo levar a resultados insatisfatórios, reganho de peso ou agravamento do quadro psiquiátrico. O histórico de alcoolismo também é um ponto crítico. Embora a paciente esteja em abstinência há 6 meses, o ideal é um período mais longo de abstinência (geralmente 12 meses) e acompanhamento psiquiátrico/psicológico contínuo para garantir a estabilidade e reduzir o risco de recaída no pós-operatório, que pode ter consequências graves devido à alteração da absorção de álcool. A presença de comorbidades como diabetes, hipertensão e apneia do sono, desde que controladas, são indicações para a cirurgia e não contraindicações. A escolaridade não é uma contraindicação, mas a equipe deve adaptar as orientações.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais contraindicações relativas para a cirurgia bariátrica?

Contraindicações relativas incluem transtornos psiquiátricos não controlados (depressão grave, transtornos alimentares ativos, transtornos psicóticos), uso abusivo de substâncias (álcool, drogas) e falta de adesão a programas de acompanhamento.

Por que um transtorno de ansiedade não controlado é uma contraindicação relativa?

Um transtorno de ansiedade não controlado pode dificultar a capacidade do paciente de lidar com as mudanças drásticas no estilo de vida, dieta e imagem corporal pós-cirurgia, aumentando o risco de complicações psicológicas e falha na perda de peso.

Qual o papel da equipe multidisciplinar na avaliação pré-bariátrica?

A equipe multidisciplinar (endocrinologista, nutricionista, psicólogo, psiquiatra, cirurgião) avalia o paciente de forma integral, identificando comorbidades, contraindicações e garantindo que o paciente esteja preparado física e mentalmente para o procedimento e o pós-operatório.

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