Efeitos do Estrogênio nos Contraceptivos Orais

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2022

Enunciado

Com relação ao estrogênio dos contraceptivos orais combinados,

Alternativas

  1. A) o valerato de estradiol não é utilizado.
  2. B) o etinilestradiol é o menos trombogênico.
  3. C) as pílulas de menor dosagem têm 20 mcg de etinilestradiol.
  4. D) aumentam a produção de aldosterona e a retenção de sódio.
  5. E) o etinilestradiol é considerado um estrogênio natural.

Pérola Clínica

Estrogênio → ↑ Angiotensinogênio → ↑ Aldosterona → Retenção de Na+ e H2O.

Resumo-Chave

O componente estrogênico dos anticoncepcionais estimula a síntese hepática de proteínas, incluindo o angiotensinogênio, ativando o eixo RAA e causando retenção hídrica.

Contexto Educacional

Os contraceptivos orais combinados (COCs) são compostos por um estrogênio e um progestagênio. O componente estrogênico, na grande maioria das vezes o etinilestradiol, é responsável pelo controle do ciclo e pela inibição da secreção de FSH, impedindo o recrutamento folicular. Contudo, seus efeitos sistêmicos são amplos devido à sua passagem hepática inicial, onde altera a síntese proteica. A ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA) é um efeito farmacológico bem documentado dos estrogênios sintéticos. Isso explica por que algumas pacientes apresentam queixas de inchaço e mastalgia ao iniciar o método. Além disso, a escolha da dose de estrogênio deve ser individualizada, pesando os benefícios do controle do ciclo contra os riscos metabólicos e cardiovasculares, especialmente em mulheres com fatores de risco preexistentes como hipertensão ou obesidade.

Perguntas Frequentes

Como o estrogênio causa retenção de sódio?

O estrogênio presente nos contraceptivos orais combinados (COCs), principalmente o etinilestradiol, exerce um efeito potente no fígado, estimulando a síntese de diversas proteínas. Entre elas, destaca-se o aumento na produção de angiotensinogênio. O aumento do substrato para a renina leva a uma maior formação de angiotensina II, que por sua vez estimula o córtex da suprarrenal a secretar aldosterona. A aldosterona atua nos túbulos renais promovendo a reabsorção de sódio e água, o que clinicamente pode se traduzir em edema, ganho de peso e leve elevação da pressão arterial em mulheres suscetíveis.

O etinilestradiol é um estrogênio natural?

Não, o etinilestradiol é um estrogênio sintético derivado do estradiol. A adição de um grupo etinil na posição 17-alfa da molécula de estradiol impede a sua rápida inativação pelo metabolismo de primeira passagem hepática, tornando-o extremamente potente e eficaz por via oral. Estrogênios naturais, como o estradiol ou o valerato de estradiol (que é um pró-fármaco do estradiol natural), têm sido incorporados em formulações mais recentes de COCs para tentar reduzir o impacto metabólico e o risco trombótico, embora o etinilestradiol continue sendo o mais utilizado mundialmente.

Qual a relação entre a dose de estrogênio e o risco de trombose?

Existe uma relação dose-dependente entre a quantidade de estrogênio e o risco de tromboembolismo venoso (TEV). O estrogênio aumenta a síntese de fatores de coagulação (como o fator VII, X e fibrinogênio) e reduz inibidores naturais da coagulação (como a proteína S e antitrombina). As pílulas de 'baixa dosagem' (geralmente < 35 mcg de etinilestradiol) foram desenvolvidas para minimizar esse risco. No entanto, o tipo de progestagênio associado também influencia significativamente o perfil trombogênico do contraceptivo, sendo os de 3ª e 4ª gerações associados a um risco ligeiramente maior de TEV quando comparados aos de 2ª geração (como o levonorgestrel).

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