HE Jayme Neves - Hospital Escola Jayme dos Santos Neves (ES) — Prova 2020
Paciente de 38 anos, 3 Gesta 2 Para 1 Aborto, vem para consulta ginecológica de rotina, informando que seu último exame preventivo ginecológico foi há 4 anos e era normal. É tabagista de, pelo menos, 22 cigarros por dia há cerca de 15 anos. Usa pílula anticoncepcional combinada composta por etinilestradiol 30 mcg e levonorgestrel 100 mcg por drágea há alguns anos, bem adaptada e sem nenhum efeito adverso. Nega doenças e apresenta boa saúde. Exame físico e ginecológico, sem anormalidades. Após realizar coleta da colpocitologia o ginecologista a fim de orientá-la sobre anticoncepção deve:
CHC + tabagismo >35 anos = contraindicação absoluta (OMS Categoria 4) → ↑ risco cardiovascular.
A combinação de idade >35 anos e tabagismo (mesmo que leve, mas especialmente >15 cigarros/dia) é uma contraindicação absoluta (Categoria 4 da OMS) para o uso de contraceptivos hormonais combinados (CHCs), devido ao risco significativamente aumentado de eventos cardiovasculares, como infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral. A paciente deve ser orientada a descontinuar o CHC e considerar métodos alternativos, como os que contêm apenas progestágeno ou métodos não hormonais.
A orientação contraceptiva para mulheres com múltiplos fatores de risco, como tabagismo e idade avançada, é um pilar fundamental da ginecologia. Os Critérios de Elegibilidade Médica da OMS são ferramentas indispensáveis para guiar essas decisões, classificando os métodos contraceptivos de acordo com o risco para a saúde da paciente. A combinação de tabagismo (especialmente >15 cigarros/dia) e idade acima de 35 anos é uma contraindicação absoluta (Categoria 4 da OMS) para o uso de contraceptivos hormonais combinados (CHCs), devido ao risco significativamente elevado de eventos tromboembólicos e cardiovasculares. O mecanismo envolve a ação do estrogênio, que aumenta a coagulabilidade sanguínea e pode exacerbar os efeitos deletérios do tabagismo na vasculatura. Mesmo que a paciente esteja 'bem adaptada' ao CHC e não tenha tido eventos adversos anteriores, o risco persiste e é inaceitável. É responsabilidade do médico informar claramente a paciente sobre esses riscos e recomendar a descontinuação do CHC. Nesses casos, a conduta correta é oferecer métodos contraceptivos alternativos que não contenham estrogênio, como os métodos que utilizam apenas progestágeno (minipílula, implante, injetável trimestral, DIU hormonal) ou métodos não hormonais (DIU de cobre, métodos de barreira). A educação da paciente sobre os riscos e a importância da mudança do método é crucial para sua segurança e saúde a longo prazo.
O uso de contraceptivos hormonais combinados (CHCs) em mulheres tabagistas com mais de 35 anos aumenta drasticamente o risco de eventos cardiovasculares graves, como infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral e tromboembolismo. Essa combinação é uma contraindicação absoluta (Categoria 4 da OMS).
Para mulheres tabagistas com mais de 35 anos, os métodos mais seguros são os que contêm apenas progestágeno (minipílula, implante, injetável trimestral, DIU hormonal) ou métodos não hormonais (DIU de cobre, condom, métodos de barreira). Esses métodos não aumentam o risco cardiovascular associado ao tabagismo.
A boa adaptação e a ausência de efeitos adversos prévios não anulam o risco intrínseco e cumulativo de eventos cardiovasculares graves associados à combinação de estrogênio, tabagismo e idade. A contraindicação é baseada em evidências de risco aumentado, independentemente da experiência individual da paciente.
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