Planejamento Familiar Puerperal: Escolha do Contraceptivo

UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023

Enunciado

. Mulher com 37 anos vem à consulta de puerpério. G2 PN2, o seu parto foi há 40 dias. Relata que o nenê está mamando muito bem e que produz bastante leite. Pensa em talvez engravidar novamente em dois anos e diz não ter interesse em colocar DIU. Relata que é muito esquecida e não sabe onde colocou as orientações e a receita da equipe da maternidade, pois estava nervosa no dia da alta da maternidade, com cansaço e vontade de ir para casa. É tabagista (< 15 cigarros ao dia). Entre as alternativas abaixo, qual seria a melhor indicação para planejamento familiar desta mulher?

Alternativas

  1. A) não há necessidade de oferecer método algum, uma vez que a mãe amamenta em livre demanda e várias vezes ao dia, sendo um perfeito método contraceptivo.
  2. B) anticoncepcional oral combinado.
  3. C) medroxiprogesterona injetável.
  4. D) minipílula.
  5. E) laqueadura tubária.

Pérola Clínica

Puerpério + amamentação + tabagismo + esquecida → Medroxiprogesterona injetável (progestagênio, longa ação).

Resumo-Chave

Para mulheres no puerpério que amamentam, são tabagistas e têm dificuldade de adesão diária, métodos contraceptivos apenas com progestagênio de longa ação, como a medroxiprogesterona injetável, são a melhor escolha, pois são seguros para a lactação e eficazes sem depender da memória diária.

Contexto Educacional

O planejamento familiar no puerpério é um aspecto crucial da saúde da mulher, visando espaçar as gestações e otimizar a saúde materna e infantil. A escolha do método contraceptivo deve considerar diversos fatores, como o período pós-parto, o status de amamentação, comorbidades (como o tabagismo) e a capacidade de adesão da paciente. No caso apresentado, a paciente está no puerpério (40 dias), amamenta em livre demanda, é tabagista (< 15 cigarros/dia) e se descreve como esquecida, além de não desejar DIU e planejar nova gestação em dois anos. Para mulheres que amamentam, os métodos contraceptivos que contêm estrogênio (como os anticoncepcionais orais combinados) são geralmente desaconselhados nas primeiras semanas pós-parto devido ao risco aumentado de tromboembolismo venoso e ao potencial de suprimir a lactação. O tabagismo, mesmo em quantidades menores, aumenta o risco de eventos cardiovasculares com o uso de estrogênio, tornando os métodos combinados menos seguros. Nesse cenário, os métodos apenas com progestagênio são preferíveis. A minipílula, embora segura na amamentação, exige uso diário e pontual, o que pode ser um desafio para uma paciente 'esquecida'. A medroxiprogesterona injetável (Depo-Provera) é uma excelente opção: é um método de progestagênio isolado, seguro na amamentação, de longa duração (3 meses), não requer adesão diária e não aumenta o risco tromboembólico associado ao tabagismo. A laqueadura tubária não seria apropriada, pois a paciente pensa em engravidar novamente.

Perguntas Frequentes

Por que a medroxiprogesterona injetável é uma boa opção para mulheres no puerpério que amamentam e são tabagistas?

A medroxiprogesterona injetável é um método contraceptivo apenas com progestagênio, o que a torna segura para uso durante a amamentação, pois não afeta a produção de leite. Além disso, por ser um método de longa duração (aplicação trimestral), é ideal para pacientes esquecidas e não aumenta o risco de tromboembolismo venoso em tabagistas, ao contrário dos métodos combinados.

Quais são as contraindicações para o uso de anticoncepcionais orais combinados no puerpério?

Anticoncepcionais orais combinados são contraindicados no puerpério imediato (primeiras 6 semanas) devido ao risco aumentado de tromboembolismo venoso. Em mulheres que amamentam, o estrogênio pode reduzir a produção de leite. Em tabagistas com mais de 35 anos, o risco de TEV é ainda maior, tornando-os geralmente contraindicados.

O Método da Amenorreia da Lactação (LAM) é um método contraceptivo eficaz no puerpério?

O LAM pode ser eficaz se preencher três critérios rigorosos: amenorreia pós-parto, amamentação exclusiva ou quase exclusiva em livre demanda e bebê com menos de 6 meses de idade. No entanto, sua eficácia diminui se qualquer um desses critérios não for atendido, e não é ideal para pacientes que buscam alta segurança ou que são esquecidas.

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