FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2021
Mulher, 34 anos de idade, em consulta buscando orientação para anticoncepção. Atualmente em uso de anticoagulante oral, devido a tromboembolismo pulmonar ocorrido há 1 mês. Nega outros antecedentes. Antes da internação fazia uso de anticoncepcional oral combinado (ACO). Segundo os critérios de elegibilidade, qual deve ser a opção para a paciente?
TEP recente contraindica ACO combinado; DIU de cobre é seguro e eficaz para mulheres anticoaguladas.
Pacientes com histórico recente de tromboembolismo pulmonar (TEP) têm contraindicação absoluta para o uso de contraceptivos hormonais combinados (ACO), devido ao risco aumentado de eventos trombóticos. O DIU de cobre é uma excelente opção, pois não contém hormônios e não interfere na coagulação, sendo seguro mesmo em uso de anticoagulantes.
A escolha do método contraceptivo em mulheres com comorbidades exige uma avaliação rigorosa, especialmente em casos de histórico de tromboembolismo pulmonar (TEP). O TEP é uma condição grave que aumenta o risco de eventos trombóticos futuros, e a contracepção deve ser cuidadosamente selecionada para não agravar esse risco. Residentes devem dominar os Critérios de Elegibilidade Médica para Uso de Contraceptivos (CEMC) da Organização Mundial da Saúde (OMS) para guiar suas decisões. Os contraceptivos hormonais combinados (ACOs), que contêm estrogênio, são contraindicados em mulheres com histórico de TEP, especialmente se recente (menos de 3-6 meses), devido ao aumento significativo do risco de trombose. O estrogênio eleva os fatores de coagulação e diminui os anticoagulantes naturais, favorecendo a formação de coágulos. Portanto, a paciente do caso, que teve TEP há apenas um mês, não deve manter o ACO combinado que usava anteriormente. Para essas pacientes, as opções seguras incluem métodos não hormonais, como o Dispositivo Intrauterino (DIU) de cobre, que é altamente eficaz, de longa duração e não interfere na coagulação. Outra alternativa são os métodos que contêm apenas progesterona (pílulas, injetáveis ou implantes), que apresentam um perfil de risco trombótico muito mais favorável que os combinados, sendo geralmente classificados como Categoria 2 ou 3 pela OMS, dependendo do tempo desde o evento trombótico e da presença de anticoagulação. O DIU de cobre, por ser não hormonal, é uma escolha de Categoria 1 ou 2, mesmo em uso de anticoagulantes, tornando-o a opção mais segura e recomendada neste cenário.
Os contraceptivos hormonais combinados (ACOs) contêm estrogênio, que aumenta significativamente o risco de eventos tromboembólicos venosos. Após um TEP, o risco de recorrência é elevado, e o uso de ACOs agravaria essa condição, sendo uma contraindicação absoluta.
As opções mais seguras incluem métodos não hormonais, como o DIU de cobre, e métodos hormonais que contêm apenas progesterona (pílulas, injetáveis ou implantes), que apresentam menor risco trombótico. O DIU de cobre é frequentemente preferido por sua alta eficácia e ausência de hormônios.
Os CEMC da OMS classificam o uso de contraceptivos hormonais combinados em mulheres com histórico de TEP como Categoria 4, significando uma condição que representa um risco inaceitável para a saúde se o método contraceptivo for utilizado.
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