CEREM - Comissão Estadual de Residência Médica de Alagoas — Prova 2021
Três amigas estão conversando sobre os métodos anticoncepcionais que utilizam.• Amiga 1 tem 36 anos e refere que faz uso de contraceptivo hormonal oral combinado porque apresenta muitas acnes e o anticoncepcional tem ajudado a reduzí-las. Refere apenas enxaqueca sem aura, sem outras comorbidades, IMC: 30kg/m². Ciclo menstrual quando não utiliza hormônios é regular, durando 7 dias, intenso.• Amiga 2 vem em uso de anel vaginal, tem 33 anos e é tabagista 1 maço por dia; nega outras comorbidades.• Amiga 3, está amamentando sua filhinha e ainda não iniciou nenhum método contraceptivo. Parto há 24 dias. Não apresenta comorbidades.Com base nas orientações da Organização Mundial de Saúde (OMS),Em relação à situação da Amiga 3 e o uso de métodos contraceptivos, é correto afirmar:
Pós-parto < 4 semanas (amamentando): DIU e métodos hormonais combinados/progestágeno isolado são Categoria 3/4 pela OMS.
No período pós-parto imediato (até 4-6 semanas), especialmente em mulheres amamentando, a escolha do método contraceptivo é restrita. Métodos hormonais combinados são contraindicados (Categoria 4) devido ao risco trombótico e impacto na lactação. Métodos com progestágeno isolado e DIU (cobre ou hormonal) são geralmente Categoria 3, com riscos maiores que os benefícios nesse período, devido a preocupações com a lactação ou risco de perfuração/expulsão do DIU.
A contracepção pós-parto é um componente essencial do planejamento familiar, visando espaçar gestações e promover a saúde materna e infantil. A escolha do método contraceptivo deve considerar o tempo desde o parto, o status da amamentação e a presença de comorbidades, seguindo os Critérios de Elegibilidade Médica para o Uso de Contraceptivos da Organização Mundial da Saúde (OMS). O período pós-parto imediato (até 6 semanas) é particularmente crítico devido às alterações fisiológicas e ao risco de complicações. Durante a amamentação, especialmente nas primeiras 6 semanas pós-parto, a introdução de certos métodos contraceptivos pode apresentar riscos. Os contraceptivos hormonais combinados (contendo estrogênio) são geralmente contraindicados (Categoria 4 da OMS) devido ao risco elevado de eventos tromboembólicos e ao potencial de suprimir a lactação. Métodos que contêm apenas progestágeno, embora mais seguros, são classificados como Categoria 3 antes de 6 semanas pós-parto devido a um possível, embora pequeno, impacto na lactação. Para dispositivos intrauterinos (DIU de cobre e DIU hormonal), a inserção antes de 4 semanas pós-parto é classificada como Categoria 3, devido ao risco aumentado de perfuração uterina e expulsão. Após 4 semanas, se não houver complicações, o DIU de cobre se torna Categoria 1 ou 2. Portanto, no caso da Amiga 3, com 24 dias pós-parto e amamentando, a maioria dos métodos hormonais e o DIU ainda não são a melhor opção, sendo classificados como Categoria 3 ou 4. Métodos de barreira ou abstinência periódica podem ser considerados até que outros métodos se tornem mais seguros.
Os contraceptivos hormonais combinados são Categoria 4 (risco inaceitável) antes de 6 semanas pós-parto em mulheres amamentando devido ao risco aumentado de trombose (especialmente nas primeiras 3 semanas) e ao possível impacto negativo na produção e qualidade do leite materno.
A inserção do DIU de cobre é considerada Categoria 3 (risco maior que benefício) antes de 4 semanas pós-parto devido ao risco aumentado de perfuração uterina e expulsão. O ideal é esperar pelo menos 4 semanas, ou até 6 semanas para reduzir ainda mais os riscos.
Métodos com progestágeno isolado (pílulas, injetáveis, implantes) são Categoria 3 (risco maior que benefício) antes de 6 semanas pós-parto em mulheres amamentando. Embora o impacto na lactação seja menor que os combinados, ainda há preocupações e é preferível esperar 6 semanas para iniciar, quando se tornam Categoria 2.
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