Contracepção Segura: TEV e Tabagismo em Mulheres

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2019

Enunciado

Mulher de 38 anos inicia novo relacionamento conjugal e procura serviço para orientações contraceptivas. AP: G2P2, tromboembolismo venoso no puerpério do segundo filho há 03 anos, tabagismo (10 cigarros/dia). São métodos contraceptivos adequados para uso dessa paciente:

Alternativas

  1. A) anel vaginal hormonal e sistema intrauterino de levonorgestrel.
  2. B) implante subcutâneo de etonogestrel e adesivo hormonal cutâneo.
  3. C) sistema intrauterino de levonorgestrel e implante subcutâneo de etonogestrel.
  4. D) anel vaginal hormonal e adesivo hormonal cutâneo.

Pérola Clínica

Histórico de TEV e tabagismo → Contraindicação absoluta para estrogênio. Escolher métodos apenas com progestagênio (SIU levonorgestrel, implante etonogestrel) ou não hormonais.

Resumo-Chave

Pacientes com histórico de tromboembolismo venoso (TEV) e tabagismo, especialmente acima de 35 anos, possuem contraindicação absoluta para o uso de contraceptivos hormonais combinados (que contêm estrogênio). Nesses casos, os métodos contraceptivos seguros e eficazes são aqueles que contêm apenas progestagênio, como o sistema intrauterino de levonorgestrel (SIU-LNG) e o implante subcutâneo de etonogestrel, ou métodos não hormonais.

Contexto Educacional

A escolha do método contraceptivo deve ser individualizada, considerando o perfil de saúde da paciente e os critérios de elegibilidade da Organização Mundial da Saúde (OMS). O caso apresenta uma paciente com histórico de tromboembolismo venoso (TEV) no puerpério e tabagismo, ambos fatores de risco significativos para eventos trombóticos. O estrogênio presente nos contraceptivos hormonais combinados (pílulas combinadas, anel vaginal, adesivo cutâneo) aumenta o risco de TEV, sendo contraindicado em pacientes com histórico prévio de TEV (Categoria 4 da OMS). Além disso, o tabagismo, especialmente em mulheres com mais de 35 anos, é um fator de risco cardiovascular que se potencializa com o uso de estrogênio, também sendo uma contraindicação absoluta para contraceptivos combinados. Portanto, a paciente deve utilizar métodos que não contenham estrogênio. As opções seguras são os métodos que contêm apenas progestagênio, como o sistema intrauterino de levonorgestrel (SIU-LNG) e o implante subcutâneo de etonogestrel, ou métodos não hormonais, como o DIU de cobre. É crucial que residentes e profissionais de saúde conheçam e apliquem os critérios de elegibilidade da OMS para garantir a segurança e eficácia da contracepção, evitando complicações graves. A educação da paciente sobre os riscos e benefícios de cada método é parte integrante da consulta.

Perguntas Frequentes

Por que o histórico de tromboembolismo venoso (TEV) é uma contraindicação para contraceptivos combinados?

O estrogênio presente nos contraceptivos combinados aumenta a síntese de fatores de coagulação e diminui a de anticoagulantes naturais, elevando o risco de trombose. Em mulheres com histórico de TEV, esse risco é inaceitável, classificando-o como Categoria 4 pela OMS.

Qual o risco do tabagismo associado à contracepção hormonal combinada?

O tabagismo, especialmente em mulheres com mais de 35 anos, é um fator de risco para doenças cardiovasculares (infarto do miocárdio, AVC) e, quando combinado com estrogênio, o risco de eventos trombóticos e cardiovasculares aumenta exponencialmente, sendo também Categoria 4 pela OMS.

Quais são os métodos contraceptivos seguros para mulheres com contraindicações a estrogênio?

Os métodos seguros incluem os que contêm apenas progestagênio (pílulas de progestagênio isolado, injetáveis trimestrais, implante de etonogestrel, SIU de levonorgestrel) e os métodos não hormonais (DIU de cobre, métodos de barreira, métodos comportamentais).

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo