INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023
Uma paciente de 28 anos, G3P2A1 (partos normais), procura a unidade básica de saúde para informar-se acerca de métodos contraceptivos para o seu caso. Ela refere ter útero didelfo e relata fazer acompanhamento no ambulatório de hematologia por ter tido tromboembolismo pulmonar após COVID-19. Além disso, também faz acompanhamento no ambulatório de reumatologia por possuir lúpus eritematoso sistêmico. A paciente apresenta fluxo menstrual intenso e não deseja laqueadura, por questões pessoais. Segundo os critérios de elegibilidade, qual método é indicado para o caso dessa paciente?
LES + TEV prévio → Contraindicação estrogênio. Pílula progestágeno isolado = segura e eficaz.
Pacientes com histórico de tromboembolismo pulmonar (TEP) e lúpus eritematoso sistêmico (LES) possuem alto risco trombótico, contraindicando o uso de estrogênios. A pílula de progestágeno isolado é uma opção segura, pois não aumenta esse risco, além de poder auxiliar no controle da menorragia.
A escolha do método contraceptivo em pacientes com comorbidades complexas, como lúpus eritematoso sistêmico (LES) e histórico de tromboembolismo, exige uma avaliação criteriosa dos riscos e benefícios. O LES, por si só, já confere um risco trombótico aumentado, que é potencializado pela presença de anticorpos antifosfolípides e por eventos trombóticos prévios, como o tromboembolismo pulmonar (TEP). A compreensão dos critérios de elegibilidade da OMS é fundamental para garantir a segurança da paciente. Contraceptivos hormonais combinados, que contêm estrogênio, são formalmente contraindicados em pacientes com histórico de TEP ou LES com alto risco trombótico (categoria 4 da OMS). O estrogênio aumenta a síntese de fatores de coagulação e diminui a de anticoagulantes naturais, elevando o risco de trombose. Nesses casos, métodos que não contêm estrogênio, como as pílulas de progestágeno isolado, são as opções mais seguras. Além disso, a pílula de progestágeno isolado pode ser benéfica para pacientes com menorragia, um sintoma comum que pode ser exacerbado por métodos como o DIU de cobre. Anomalias uterinas como o útero didelfo podem impactar a escolha de métodos intrauterinos, tornando sua inserção mais desafiadora ou menos eficaz. Portanto, a pílula de progestágeno isolado emerge como uma excelente alternativa, oferecendo contracepção eficaz, segurança cardiovascular e potencial benefício no controle do sangramento menstrual, sem as complicações anatômicas ou trombóticas associadas a outros métodos.
Em pacientes com lúpus eritematoso sistêmico, especialmente aqueles com anticorpos antifosfolípides positivos ou histórico de eventos trombóticos, os contraceptivos combinados (contendo estrogênio) são contraindicados devido ao aumento do risco de tromboembolismo.
A pílula de progestágeno isolado é indicada porque não contém estrogênio, o componente hormonal associado ao aumento do risco trombótico. Assim, oferece contracepção eficaz sem exacerbar o risco de tromboembolismo em pacientes predispostas.
O útero didelfo, uma anomalia uterina congênita, pode dificultar ou contraindicar a inserção de dispositivos intrauterinos (DIU de cobre ou SIU-LNG) devido à presença de dois úteros separados, cada um com sua própria cavidade. Métodos hormonais sistêmicos são geralmente preferíveis nesses casos.
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