SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2023
Mônica, 37 anos, G1P1(vaginal há 1 ano), IMC 35, com episódio de TVP na gestação. Comparece a UBS para orientação contraceptiva. Relata que não consegue lembrar de usar medicação diariamente. Qual método mais indicado?
TVP prévia + dificuldade adesão → Contraceptivo progestagênio isolado de longa ação (DMPA).
Pacientes com história de TVP têm contraindicação para métodos contraceptivos combinados estrogênio-progestagênio devido ao risco trombogênico. O injetável trimestral (DMPA) é um método de progestagênio isolado, seguro nesses casos e ideal para quem tem dificuldade de adesão diária.
A escolha do método contraceptivo para pacientes com histórico de Trombose Venosa Profunda (TVP) é um desafio clínico importante, exigindo conhecimento aprofundado dos riscos e benefícios de cada opção. A TVP é uma condição na qual um coágulo sanguíneo se forma em uma veia profunda, geralmente nas pernas, e sua recorrência pode ser fatal. A contracepção adequada é crucial para evitar gestações indesejadas, que por si só aumentam o risco trombótico. A fisiopatologia da TVP está ligada à tríade de Virchow (estase, lesão endotelial e hipercoagulabilidade). Métodos contraceptivos combinados, que contêm estrogênio, aumentam o risco de trombose devido ao seu efeito na cascata de coagulação, elevando os níveis de fatores de coagulação e diminuindo os de anticoagulantes naturais. Por isso, são contraindicados em pacientes com histórico de TVP. Métodos de progestagênio isolado, como o injetável trimestral (acetato de medroxiprogesterona de depósito - DMPA), não possuem esse efeito trombogênico e são considerados seguros. O tratamento e a orientação contraceptiva devem focar na segurança e na adesão da paciente. O DMPA, além de ser seguro em pacientes com histórico de TVP, é um método de longa ação (LARC), o que o torna ideal para pacientes com dificuldade de lembrar de usar medicação diariamente. Outras opções seguras incluem DIU de cobre e DIU hormonal (levonorgestrel). É fundamental que o profissional de saúde avalie o histórico completo da paciente e discuta todas as opções disponíveis, garantindo uma escolha informada e eficaz.
Métodos contraceptivos combinados (contendo estrogênio) são contraindicados devido ao aumento do risco de eventos trombóticos. Isso inclui pílulas combinadas, anel vaginal e adesivo transdérmico.
O injetável trimestral (DMPA) contém apenas progestagênio, o que o torna seguro para pacientes com histórico de TVP, pois não aumenta o risco trombogênico. Além disso, sua aplicação trimestral melhora a adesão.
Os Critérios de Elegibilidade Médica da OMS classificam a história de TVP como Categoria 4 para métodos combinados (risco inaceitável) e Categoria 1 ou 2 para métodos de progestagênio isolado (sem restrição ou vantagens superam riscos).
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