Contracepção Segura: Tabagismo e Hipertensão

HFASP - Hospital de Força Aérea de São Paulo — Prova 2021

Enunciado

Uma mulher de 30 anos de idade, nuligesta, tabagista de 20 cigarros por dia há 18 anos, hipertensa controlada com monoterapia, praticamente de caminhada diária (30 minutos) vem à unidade básica de saúde para obter um método anticoncepcional seguro. Sendo assim, a melhor opção é:

Alternativas

  1. A) Preservativo
  2. B) Anticoncepcional oral combinado
  3. C) Dispositivo intrauterino de cobre
  4. D) Injeção mensal

Pérola Clínica

Mulher > 35 anos tabagista ou < 35 anos tabagista com > 15 cigarros/dia + HAS → contraindicação para AOC. DIU de cobre é seguro.

Resumo-Chave

A paciente apresenta múltiplos fatores de risco cardiovascular (idade 30 anos, tabagismo intenso e hipertensão controlada). Anticoncepcionais hormonais combinados (AOCs e injetáveis mensais) são contraindicados devido ao aumento significativo do risco de eventos tromboembólicos e cardiovasculares. O DIU de cobre, por ser um método não hormonal, é uma excelente e segura opção para esta paciente.

Contexto Educacional

A escolha do método contraceptivo deve ser individualizada, considerando a eficácia, aceitabilidade e, crucialmente, os fatores de risco e comorbidades da paciente. O tabagismo, especialmente em associação com hipertensão arterial, eleva significativamente o risco cardiovascular, incluindo eventos tromboembólicos, infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral. É fundamental que profissionais de saúde estejam cientes das contraindicações de certos métodos para garantir a segurança da paciente. Os anticoncepcionais hormonais combinados (AHCs), que contêm estrogênio e progestagênio, aumentam o risco de trombose venosa e arterial. Em mulheres com fatores de risco como tabagismo intenso (≥ 15 cigarros/dia) e hipertensão, o uso de AHCs é contraindicado (Critério de Elegibilidade Médica categoria 4 da OMS). O estrogênio é o principal componente associado a esses riscos. Portanto, métodos que contêm estrogênio, como pílulas combinadas, anel vaginal e adesivo transdérmico, devem ser evitados. Para pacientes com múltiplos fatores de risco cardiovascular, métodos contraceptivos sem estrogênio são as opções mais seguras. O dispositivo intrauterino de cobre (DIU de cobre) é um método não hormonal altamente eficaz, de longa duração e reversível, sendo uma excelente escolha. Outras opções incluem métodos apenas com progestagênio (pílulas de progestagênio isolado, implante subdérmico, injeção trimestral ou DIU hormonal), que geralmente são seguros nessas condições. Aconselhamento detalhado sobre os riscos e benefícios de cada método é essencial para a tomada de decisão informada.

Perguntas Frequentes

Por que anticoncepcionais hormonais combinados são contraindicados para tabagistas hipertensas?

Anticoncepcionais hormonais combinados (com estrogênio) aumentam o risco de eventos tromboembólicos, infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral. Em mulheres tabagistas e hipertensas, esses riscos são potencializados, tornando a contraindicação absoluta para proteger a saúde cardiovascular da paciente.

Quais são os critérios de elegibilidade para o uso de métodos contraceptivos em pacientes com comorbidades?

Os Critérios de Elegibilidade Médica (CEM) da OMS classificam os métodos contraceptivos de 1 a 4, onde 1 é 'sem restrição' e 4 é 'contraindicação absoluta'. Para tabagistas >35 anos ou tabagistas intensas (<35 anos, >15 cigarros/dia) com hipertensão, os métodos combinados são CEM categoria 4.

Quais métodos contraceptivos são seguros para mulheres com risco cardiovascular elevado?

Métodos contraceptivos não hormonais, como o DIU de cobre, são seguros. Métodos hormonais apenas com progestagênio (minipílula, implante, injeção trimestral, DIU hormonal) geralmente são categoria 1 ou 2 para essas condições, mas o DIU de cobre é frequentemente a primeira escolha pela ausência de hormônios.

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