Enxaqueca com Aura: Qual Contraceptivo é Seguro?

UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2025

Enunciado

Paciente, 33 anos de idade, nuligesta, busca orientação sobre os métodos contraceptivos. A paciente apresenta diagnóstico prévio de enxaqueca com aura, sem outras comorbidades associadas. Atualmente, faz uso de Topiramato 200 mg/d para controle das crises de enxaqueca. Ela deseja um método eficaz, pois não tem planos de engravidar nos próximos três anos. Em relação a esse quadro, considere as afirmativas a seguir.I. É importante que, durante essa consulta, seja abordado o tema sobre desejo gestacional, idade e fertilidade feminina.II. Estão contraindicados métodos contraceptivos combinados, porém a paciente pode fazer uso de métodos com progesterona isolada, inclusive a pílula via oral.III. Métodos contraceptivos hormonais de progesterona isolada, como o DIU hormonal e o implante subdérmico, são menos eficazes que os contraceptivos hormonais combinados.IV. O DIU liberador de levonorgestrel e o implante subdérmico são opções adequadas para pacientes com enxaqueca com aura, pois não aumentam o risco de eventos tromboembólicos. Assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Somente as afirmativas I e II são corretas.
  2. B) Somente as afirmativas I e IV são corretas.
  3. C) Somente as afirmativas III e IV são corretas.
  4. D) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.
  5. E) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.

Pérola Clínica

Enxaqueca com aura = contraindicação absoluta (Categoria 4 OMS) para contraceptivos hormonais combinados devido ao risco aumentado de AVC isquêmico.

Resumo-Chave

A presença de aura na enxaqueca é um fator de risco independente para AVC isquêmico. O estrogênio sintético dos contraceptivos combinados potencializa esse risco, tornando seu uso inaceitável. Métodos com progesterona isolada (DIU-LNG, implante) e não hormonais são as opções seguras.

Contexto Educacional

A orientação contraceptiva para mulheres com comorbidades, como a enxaqueca com aura, exige conhecimento aprofundado dos Critérios Médicos de Elegibilidade para Uso de Contraceptivos da Organização Mundial da Saúde (OMS). A enxaqueca com aura é uma condição neurológica que confere um risco basal aumentado para acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico, tornando a escolha do método contraceptivo uma questão de segurança. O uso de contraceptivos hormonais combinados (pílulas, anel, adesivo), que contêm estrogênio sintético, é absolutamente contraindicado (Categoria 4 da OMS) em mulheres com enxaqueca com aura em qualquer idade. O estrogênio tem efeito pró-trombótico e a combinação desses dois fatores de risco (aura + estrogênio) multiplica o risco de AVC. Portanto, a investigação ativa sobre a presença de aura durante a anamnese é fundamental. As opções seguras e eficazes para essa população incluem todos os métodos de progesterona isolada e os métodos não hormonais. O DIU liberador de levonorgestrel (DIU-LNG) e o implante subdérmico de etonogestrel são métodos contraceptivos reversíveis de longa duração (LARC) com alta eficácia e segurança, pois não aumentam o risco tromboembólico. O DIU de cobre e os métodos de barreira também são excelentes alternativas. É crucial também considerar interações medicamentosas, como com o topiramato, que em doses elevadas pode reduzir a eficácia de contraceptivos hormonais sistêmicos.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas que caracterizam a aura na enxaqueca?

A aura consiste em sintomas neurológicos focais e transitórios que geralmente precedem a cefaleia. Os mais comuns são visuais, como pontos cintilantes (escotomas), linhas em ziguezague ou perda de campo visual. Sintomas sensitivos (formigamento) ou de fala também podem ocorrer.

Por que os contraceptivos combinados são absolutamente contraindicados na enxaqueca com aura?

A enxaqueca com aura é um fator de risco independente para acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico. O componente estrogênico dos contraceptivos combinados também aumenta o risco de eventos tromboembólicos. A associação dos dois fatores eleva o risco de AVC a um nível inaceitável (Categoria 4 da OMS).

O DIU de cobre é uma boa opção para uma paciente com enxaqueca com aura?

Sim, o DIU de cobre é uma excelente opção. Por ser um método não hormonal, ele não interfere nos riscos cardiovasculares associados à enxaqueca com aura, oferecendo contracepção de alta eficácia e longa duração. A decisão entre DIU de cobre e DIU hormonal dependerá de outras características da paciente, como o padrão de sangramento.

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