Contracepção em Pacientes de Alto Risco: Escolha Segura

UFMT Revalida - Universidade Federal de Mato Grosso — Prova 2022

Enunciado

Mulher casada, G2 P2 A0, 38 anos, tabagista 1 maço/dia, dislipidêmica e hipertensa, teve o último parto há 4 anos. Faz uso regular de sinvastatina 20 mg/dia e losartana 50 mg/dia, mantendo PA em níveis adequados. Informa fazer uso de Ciclo 21 (contraceptivo oral combinado) sem intervalo entre as cartelas, pois não deseja menstruar, estando bem adaptada ao método. Exame físico sem anormalidades, exceto por IMC = 38 Kg/m². Em relação à contracepção, qual a opção correta para essa paciente? 

Alternativas

  1. A) Recomendar sistema intrauterino liberador de levonorgestrel.
  2. B) Manter contraceptivo oral combinado.
  3. C) Oferecer dispositivo intrauterino de cobre. 
  4. D) Indicar laqueadura tubária. 

Pérola Clínica

Mulher >35a, tabagista, hipertensa, obesa, dislipidêmica → COC contraindicado (MEC Cat. 4); preferir métodos não hormonais ou progestagênios.

Resumo-Chave

A paciente apresenta múltiplos fatores de risco cardiovascular (idade >35, tabagismo, hipertensão, dislipidemia, obesidade) que contraindicam o uso de contraceptivos orais combinados (COC) devido ao risco aumentado de eventos trombóticos. Métodos como SIU de levonorgestrel ou DIU de cobre são opções seguras e eficazes, pois não contêm estrogênio ou têm ação local.

Contexto Educacional

A escolha do método contraceptivo para mulheres com comorbidades e múltiplos fatores de risco cardiovascular exige uma avaliação cuidadosa, baseada nos Critérios de Elegibilidade Médica da Organização Mundial da Saúde (MEC OMS). Pacientes com idade avançada (>35 anos), tabagismo, hipertensão, dislipidemia e obesidade apresentam um risco significativamente aumentado de eventos trombóticos e cardiovasculares ao usar contraceptivos orais combinados (COCs), que contêm estrogênio. Nesse cenário, os COCs são classificados como Categoria 4 (contraindicação absoluta) pelos MEC OMS. A presença de múltiplos fatores de risco, como os da paciente do enunciado, torna o uso de estrogênio inaceitável devido ao risco de infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral e trombose venosa profunda, que podem ser fatais. As opções seguras e eficazes para essas pacientes incluem métodos contraceptivos de longa ação (LARC), como o sistema intrauterino (SIU) liberador de levonorgestrel ou o dispositivo intrauterino (DIU) de cobre, que não contêm estrogênio ou têm ação predominantemente local, minimizando os riscos sistêmicos. A laqueadura tubária é uma opção permanente, mas a decisão deve ser bem ponderada e discutida com a paciente, não sendo a primeira escolha para todas.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco que contraindicam o uso de contraceptivos orais combinados?

Idade >35 anos associada a tabagismo, hipertensão não controlada, dislipidemia, obesidade (IMC >30), histórico de trombose ou enxaqueca com aura são contraindicações importantes para o uso de contraceptivos orais combinados.

Por que o SIU liberador de levonorgestrel é uma boa opção para essa paciente?

O SIU de levonorgestrel é um método de longa ação, altamente eficaz, que libera progestagênio localmente, minimizando efeitos sistêmicos e não aumentando o risco cardiovascular, sendo seguro para pacientes com múltiplos fatores de risco.

Quais as classificações dos Critérios de Elegibilidade Médica (MEC OMS) para contraceptivos?

Os MEC OMS classificam os métodos em 4 categorias: Categoria 1 (sem restrições), Categoria 2 (benefícios > riscos), Categoria 3 (riscos > benefícios, mas pode ser usado se não houver alternativa), Categoria 4 (contraindicação absoluta).

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