Contracepção Após TVP: Escolha Segura para Mulheres

IFF/Fiocruz - Instituto Fernandes Figueira (RJ) — Prova 2022

Enunciado

Clarice, 43 anos, comparece na consulta para iniciar método contraceptivo. Nega tabagismo e enxaqueca com aura. Refere trombose venosa profunda após infecção pelo SARS COV 2 (COVID 19) há 9 meses. Suspendeu o anticoagulante há 3 meses. Qual melhor método para Clarice?

Alternativas

  1. A) Pílula com valerato de estradiol e dienogeste.
  2. B) Anel vaginal.
  3. C) Adesivo transdérmico.
  4. D) Injetável mensal.
  5. E) Pílula com desogestrel.

Pérola Clínica

Histórico de TVP = contraindicação para estrogênio; escolher contraceptivo apenas com progestagênio.

Resumo-Chave

Mulheres com histórico de trombose venosa profunda (TVP), como Clarice, possuem um risco aumentado de eventos trombóticos futuros. Contraceptivos hormonais combinados (que contêm estrogênio) são contraindicados nesses casos, pois o estrogênio eleva ainda mais esse risco. Métodos que contêm apenas progestagênio são a escolha segura, pois não aumentam significativamente o risco trombótico.

Contexto Educacional

A escolha do método contraceptivo adequado para mulheres com histórico de trombose venosa profunda (TVP) é uma decisão clínica crítica, visando prevenir eventos trombóticos recorrentes. A TVP, mesmo que associada a um fator desencadeante como a infecção por SARS-CoV-2, confere um risco aumentado para futuros episódios. As diretrizes de elegibilidade médica para contracepção da Organização Mundial da Saúde (OMS) classificam o histórico de TVP como uma contraindicação de Categoria 4 para o uso de contraceptivos hormonais combinados (CHC), que contêm estrogênio. O estrogênio presente nos CHCs aumenta o risco de trombose ao alterar o balanço hemostático, promovendo um estado de hipercoagulabilidade. Ele eleva os níveis de fatores de coagulação (como o fator VII, VIII e X) e diminui os níveis de anticoagulantes naturais (como a antitrombina III e a proteína S). Portanto, para Clarice, que possui esse histórico de TVP, qualquer método que contenha estrogênio (pílulas combinadas, anel vaginal, adesivo transdérmico, injetáveis mensais) é contraindicado devido ao risco de recorrência trombótica. A opção mais segura e recomendada para mulheres com histórico de TVP são os métodos contraceptivos que contêm apenas progestagênio. Estes incluem a pílula de progestagênio isolado (como a pílula de desogestrel), implantes subdérmicos, injeções trimestrais de progestagênio e o sistema intrauterino liberador de levonorgestrel (DIU hormonal). Esses métodos não aumentam significativamente o risco trombótico e oferecem uma contracepção eficaz. A consulta deve sempre considerar o histórico completo da paciente e discutir os riscos e benefícios de cada opção.

Perguntas Frequentes

Por que contraceptivos hormonais combinados são contraindicados em mulheres com histórico de TVP?

Contraceptivos combinados contêm estrogênio, que aumenta a síntese de fatores de coagulação e diminui a de anticoagulantes naturais, elevando significativamente o risco de trombose em mulheres já predispostas.

Quais métodos contraceptivos são considerados seguros para mulheres com histórico de trombose venosa profunda?

Métodos contraceptivos que contêm apenas progestagênio, como a pílula de desogestrel, implantes subdérmicos, DIU hormonal (levonorgestrel) e injetáveis trimestrais, são considerados seguros, pois não aumentam o risco trombótico.

O histórico de TVP após COVID-19 altera as recomendações de contracepção?

Sim, o histórico de TVP, independentemente da causa (incluindo pós-COVID-19), é um fator de risco importante. As recomendações de evitar estrogênio em contraceptivos combinados permanecem válidas para essas pacientes.

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