LARCs: Eficácia, Segurança e Contraindicações na Contracepção

AMS - Autarquia Municipal de Saúde de Apucarana (PR) — Prova 2023

Enunciado

A sigla em inglês LARC (long-acting reversible contraception) tem sido utilizada na literatura para designar métodos contraceptivos de longa duração, que se associam a maior segurança, aderência e eficácia; devido a essas vantagens, tem-se observado uma maior procura pelo uso dos LARCs em todas as faixas etárias, sendo de especial interesse entre adolescentes, que estão mais sujeitas a gestações não planejadas devido a uso inadequado de contraceptivos de curta duração. Sobre os LARCs, assinale a alternativa correta:

Alternativas

  1. A) O implante subdermico de etonogestrel age promovendo a atrofia endometrial, espessamento do muco cervical e reduzindo a motilidade ciliar tubária, mas permitindo a ocorrência de ciclos ovulatórios normalmente.
  2. B) O DIU hormonal de levonorgestrel tem elevada eficácia, porém seu uso tem algumas restrições, sendo inviável em mulheres com história de eventos tromboembólicos.
  3. C) O implante subdermico de levonorgestrel, disponível no Brasil, apresenta menor eficácia e duração que o implante de etonogestrel.
  4. D) O DIU de cobre pode ser utilizado em mulheres com história prévia de doença inflamatória pélvica tratada.

Pérola Clínica

DIU de cobre pode ser usado em mulheres com DIP tratada, sem contraindicação absoluta.

Resumo-Chave

Os LARCs são métodos contraceptivos altamente eficazes e seguros. O DIU de cobre, apesar de não liberar hormônios, pode ser utilizado em mulheres com histórico de Doença Inflamatória Pélvica (DIP) tratada, desde que não haja infecção ativa no momento da inserção.

Contexto Educacional

Os métodos contraceptivos reversíveis de longa duração (LARCs - Long-Acting Reversible Contraception) representam uma categoria de contraceptivos altamente eficazes, seguros e convenientes, com taxas de falha comparáveis à esterilização cirúrgica. Incluem os dispositivos intrauterinos (DIU de cobre e DIU hormonal de levonorgestrel) e o implante subdérmico de etonogestrel. Devido à sua alta eficácia e independência da adesão diária da usuária, são especialmente recomendados para adolescentes e mulheres que desejam espaçar gestações. O DIU de cobre age principalmente causando uma reação inflamatória estéril no endométrio, que é espermicida e impede a fertilização e implantação. O DIU hormonal de levonorgestrel e o implante de etonogestrel liberam progestagênios, que agem espessando o muco cervical, inibindo a ovulação (principalmente o implante) e atrofia endometrial. É importante notar que o DIU hormonal, por ter ação predominantemente local, não aumenta o risco de eventos tromboembólicos, diferentemente de contraceptivos orais combinados. Uma questão comum na prática clínica é sobre o uso de DIU em mulheres com histórico de Doença Inflamatória Pélvica (DIP). A contraindicação para o DIU é a presença de DIP ativa ou infecção sexualmente transmissível no momento da inserção. No entanto, mulheres com histórico prévio de DIP tratada e resolvida podem utilizar o DIU de cobre ou hormonal com segurança, após avaliação clínica adequada. A escolha do LARC deve ser individualizada, considerando as características da paciente e suas comorbidades.

Perguntas Frequentes

Quais são as vantagens dos LARCs em relação a outros métodos contraceptivos?

Os LARCs oferecem alta eficácia, longa duração de ação, alta aderência (não dependem da tomada diária), são reversíveis e não requerem ação frequente da usuária, resultando em menores taxas de falha.

O DIU hormonal de levonorgestrel tem contraindicação para eventos tromboembólicos?

Não, o DIU hormonal de levonorgestrel libera progestagênio localmente e não está associado a risco aumentado de eventos tromboembólicos, sendo uma opção segura para mulheres com histórico de trombose.

Quando o DIU de cobre é contraindicado em relação à Doença Inflamatória Pélvica?

O DIU de cobre é contraindicado em casos de DIP ativa ou infecção sexualmente transmissível ativa no momento da inserção. No entanto, um histórico de DIP tratada e resolvida não é uma contraindicação absoluta.

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