UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2023
Mulher, 25a, vem para avaliação de planejamento familiar após encaminhamento pela reumatologia. Apresenta ciclos menstruais com fluxo aumentado e coágulos, com duração de 10 dias, nos últimos seis meses. Antecedentes: G0P0, menarca aos 15 anos, vida sexual ativa, parceiro único; tem diagnóstico de lúpus eritematoso sistêmico há três anos, em uso regular de hidroxicloroquina e metotrexato. hemoglobina=9g/dL, hematócrito=30%, leucócitos=2.000/mm³, plaquetas=60.000/mm³. Pesquisa de anticorpo anticardiolipina e de anticorpo anticélula (FAN) positivos. Ultrassonografia pélvica: sem alterações em útero e ovários. O MÉTODO CONTRACEPTIVO MAIS ADEQUADO É:
LES com SAF (anticardiolipina +) e plaquetopenia → contraindica estrogênio, SIU-LNG é o mais seguro e trata sangramento.
Paciente com Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) e anticorpo anticardiolipina positivo (sugestivo de Síndrome Antifosfolípide - SAF) tem alto risco trombótico, contraindicando métodos contraceptivos combinados com estrogênio. Além disso, apresenta plaquetopenia e sangramento uterino anormal. O Sistema Intrauterino liberador de Levonorgestrel (SIU-LNG) é a melhor opção, pois é um método apenas progestagênio (seguro em SAF), altamente eficaz, e tem o benefício adicional de reduzir o fluxo menstrual, tratando a menorragia.
O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune crônica que afeta múltiplos órgãos e sistemas. O planejamento familiar e a escolha do método contraceptivo são cruciais para mulheres com LES, pois a gravidez pode exacerbar a doença e os medicamentos utilizados podem ser teratogênicos (como o metotrexato). Além disso, muitas pacientes com LES, especialmente aquelas com anticorpos antifosfolípides positivos (como o anticardiolipina), apresentam um risco aumentado de eventos tromboembólicos. Neste caso, a paciente apresenta LES com anticorpo anticardiolipina positivo, o que a coloca em alto risco para Síndrome Antifosfolípide (SAF), uma condição que predispõe à trombose arterial e venosa. Portanto, qualquer método contraceptivo que contenha estrogênio (como os anticoncepcionais orais combinados) é absolutamente contraindicado devido ao aumento do risco trombótico. A paciente também tem plaquetopenia (60.000/mm³) e sangramento uterino aumentado, o que complica ainda mais a escolha. O Sistema Intrauterino liberador de Levonorgestrel (SIU-LNG) é a opção mais adequada. Ele é um método contraceptivo de longa duração, altamente eficaz, e por ser um método apenas progestagênio, não aumenta o risco trombótico. Além de sua função contraceptiva, o SIU-LNG é conhecido por reduzir significativamente o fluxo menstrual e a dismenorreia, sendo uma excelente escolha para pacientes com menorragia e plaquetopenia, ajudando a melhorar a anemia (hemoglobina 9g/dL). O DIU de cobre, embora sem hormônios, pode aumentar o sangramento menstrual, o que seria prejudicial para esta paciente.
Anticoncepcionais combinados contêm estrogênio, que aumenta o risco de trombose. Pacientes com Lúpus e anticorpos antifosfolípides (como anticardiolipina) já possuem um risco trombótico basal elevado, tornando o uso de estrogênio perigoso.
O Sistema Intrauterino liberador de Levonorgestrel (SIU-LNG) é um método contraceptivo apenas progestagênio, seguro para pacientes com risco trombótico. Além disso, ele reduz significativamente o fluxo menstrual, sendo eficaz no tratamento da menorragia.
Métodos apenas progestagênios (como SIU-LNG, implante subdérmico, injeção de progestagênio) e métodos de barreira são geralmente considerados seguros. A escolha depende das comorbidades e preferências da paciente.
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