Contraceptivos Orais e Diabetes: Indicações e Contraindicações

HGNI - Hospital Geral de Nova Iguaçu (Hospital da Posse) (RJ) — Prova 2015

Enunciado

Os estudos de prevalência de uso de contraceptivos por mulheres brasileiras em idade reprodutiva têm mostrado que os contraceptivos hormonais orais estão entre os métodos contraceptivos mais usados. Com relação a esses métodos, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Os contraceptivos hormonais orais contendo apenas progestagênio geralmente ocasionam ciclos menstruais regulares nas usuárias.
  2. B) Os contraceptivos hormonais orais combinados têm na sua composição o mestranol e o acetato de medroxiprogesterona.
  3. C) Todos os contraceptivos hormonais orais têm na sua composição um estrogênio sintético.
  4. D) O progestagênio existente nesses contraceptivos combinados serve apenas para regularizar os ciclos: o que funciona como contraceptivo é o estrogênio.
  5. E) Mulheres jovens com diabetes sem lesão vascular podem usar contraceptivos hormonais orais combinados de baixa dose.

Pérola Clínica

Diabetes sem lesão vascular + jovem → Pode usar ACO combinado de baixa dose.

Resumo-Chave

A escolha do contraceptivo hormonal em mulheres com condições médicas como diabetes requer avaliação cuidadosa dos riscos e benefícios. Mulheres jovens com diabetes bem controlado e sem complicações vasculares podem usar contraceptivos orais combinados de baixa dose, mas a presença de lesão vascular é uma contraindicação absoluta devido ao risco trombótico.

Contexto Educacional

Os contraceptivos hormonais orais (ACOs) são amplamente utilizados e eficazes, mas sua prescrição exige uma avaliação cuidadosa das condições de saúde da mulher, especialmente na presença de comorbidades. Os ACOs combinados contêm um estrogênio (geralmente etinilestradiol, raramente mestranol) e um progestagênio, enquanto os contraceptivos apenas com progestagênio (POP) contêm apenas o progestagênio. A presença de diabetes mellitus é um fator a ser considerado na escolha do método contraceptivo. Mulheres jovens com diabetes bem controlado, sem complicações vasculares (como retinopatia, nefropatia ou neuropatia) e sem outros fatores de risco cardiovascular, podem usar contraceptivos hormonais orais combinados de baixa dose. No entanto, a presença de diabetes com lesão vascular, diabetes de longa duração (>20 anos) ou diabetes com nefropatia, retinopatia ou neuropatia é uma contraindicação absoluta para os ACOs combinados devido ao aumento do risco trombótico e cardiovascular. Os contraceptivos apenas com progestagênio são geralmente considerados mais seguros para mulheres com diabetes e complicações vasculares, pois não aumentam o risco trombótico. É crucial que o médico avalie individualmente cada paciente, considerando o risco-benefício e as diretrizes de elegibilidade da Organização Mundial da Saúde (OMS) para métodos contraceptivos.

Perguntas Frequentes

Quais são as contraindicações absolutas para contraceptivos hormonais combinados?

As contraindicações incluem histórico de trombose venosa profunda ou embolia pulmonar, doença arterial coronariana, acidente vascular cerebral, enxaqueca com aura, hipertensão não controlada, diabetes com complicações vasculares, doença hepática grave e câncer de mama.

Qual o papel do progestagênio nos contraceptivos combinados?

O progestagênio é o principal componente contraceptivo, inibindo a ovulação, alterando o muco cervical e o endométrio. O estrogênio serve principalmente para estabilizar o endométrio e controlar o ciclo.

Contraceptivos apenas com progestagênio causam ciclos regulares?

Não, contraceptivos contendo apenas progestagênio (minipílulas, injetáveis, implantes) frequentemente causam irregularidades menstruais, como sangramentos de escape ou amenorreia.

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