Santa Casa de Campo Grande (MS) — Prova 2026
Mulher de 32 anos, sem comorbidades, deseja iniciar método contraceptivo. Refere cefaleia com aura ocasional. Qual método é contraindicado?
Enxaqueca com aura = Contraindicação absoluta (Categoria 4) aos estrogênios pelo risco de AVC.
O uso de anticoncepcionais combinados (estrogênio + progesterona) em mulheres com enxaqueca com aura aumenta sinergicamente o risco de AVC isquêmico, sendo classificado como Categoria 4 da OMS.
A prescrição de métodos contraceptivos exige uma análise rigorosa dos Critérios Médicos de Elegibilidade da OMS. A enxaqueca com aura é definida pela presença de sintomas neurológicos focais transitórios (visuais, sensitivos ou de linguagem) que precedem ou acompanham a cefaleia. Estudos epidemiológicos demonstram que o risco de AVC isquêmico é cerca de 2 a 4 vezes maior em mulheres com enxaqueca com aura em comparação com a população geral. Quando essas mulheres utilizam anticoncepcionais orais combinados, o risco relativo pode subir para até 7 a 10 vezes. Por essa razão, a alternativa deve ser sempre um método livre de estrogênio, garantindo a eficácia contraceptiva sem comprometer a segurança cardiovascular da paciente.
O estrogênio, especialmente o etinilestradiol presente nos combinados, possui efeitos pró-trombóticos e pode alterar a reatividade vascular cerebral. Mulheres que sofrem de enxaqueca com aura já possuem um risco basal elevado de Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico devido a fenômenos de depressão alastrante cortical e disfunção endotelial. A associação do estrogênio exógeno com a aura multiplica esse risco de forma inaceitável, levando a Organização Mundial da Saúde (OMS) a classificar o uso como Categoria 4 (risco inaceitável à saúde).
Para pacientes com enxaqueca com aura, os métodos de escolha são aqueles que não contêm estrogênio. Isso inclui métodos não hormonais, como o DIU de cobre, e métodos de progesterona isolada, como o DIU de levonorgestrel, o implante subdérmico de etonogestrel, a injeção trimestral de medroxiprogesterona e a minipílula (desogestrel ou noretisterona). Todos esses são classificados como Categoria 1 ou 2 pela OMS, significando que os benefícios superam amplamente os riscos.
Na enxaqueca sem aura, a classificação da OMS depende da idade e de outros fatores de risco. Para mulheres com menos de 35 anos e sem outros fatores de risco cardiovascular, os anticoncepcionais combinados são geralmente Categoria 2 (pode usar). No entanto, se a paciente tiver 35 anos ou mais, o início do método combinado passa a ser Categoria 3 (riscos geralmente superam benefícios) e a continuação é Categoria 4. Portanto, a distinção clínica entre enxaqueca com e sem aura é fundamental na consulta ginecológica.
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