Contracepção e Amenorreia em Homens Transgênero

HVC - Hospital Vera Cruz (SP) — Prova 2024

Enunciado

Três pessoas compareceram ao grupo de Planejamento Familiar e Reprodutivo de uma Unidade Básica de Saúde. Analise cada caso e selecione o método contraceptivo indicado, com maior taxa de eficácia, para cada uma delas. Homem de 33 anos de idade, transgênero, com vida sexual ativa, relata manter relações com homens cisgênero. Faz hormonização com undecanoato de testosterona há 2 anos. Tem um filho vivo, com antecedente de um parto vaginal. Deseja manter-se em amenorreia. Dentre as alternativas abaixo, qual método contraceptivo disponível no Sistema Único de Saúde é o mais indicado e mais eficaz para esta pessoa?

Alternativas

  1. A) Pílula de levonorgestrel + etinilestradiol.
  2. B) Não é necessário utilizar método contraceptivo, devido ao uso de testosterona.
  3. C) Norestisterona + estradiol intramuscular
  4. D) Medroxiprogesterona intramuscular

Pérola Clínica

Testosterona ≠ contracepção; DMPA → alta eficácia + amenorreia em homens trans.

Resumo-Chave

A hormonização com testosterona não garante anovulação. O uso de progestágenos isolados, como a medroxiprogesterona trimestral, é ideal por não conter estrogênio e favorecer a amenorreia desejada.

Contexto Educacional

O cuidado à saúde de pessoas transgênero exige uma abordagem que combine eficácia clínica com respeito à identidade de gênero. Em homens trans (indivíduos designados como sexo feminino ao nascer que se identificam como homens), a contracepção é necessária enquanto houver órgãos reprodutivos internos e exposição a espermatozoides. A escolha do método deve priorizar opções que não contenham estrogênio para evitar efeitos feminilizantes e que auxiliem na manutenção da amenorreia, reduzindo a disforia. O acetato de medroxiprogesterona de depósito (150mg IM a cada 3 meses) é uma excelente escolha por sua alta eficácia (taxa de falha <1% com uso perfeito) e pelo perfil de efeitos colaterais que favorece a ausência de sangramento uterino anormal. É fundamental que o médico esclareça que a testosterona é teratogênica, reforçando a importância de um método seguro caso a gravidez não seja desejada no momento.

Perguntas Frequentes

A testosterona pode ser considerada um método contraceptivo?

Não. Embora a testosterona frequentemente induza a amenorreia e suprima a ovulação, ela não é um método contraceptivo confiável. Homens transgênero com útero e ovários que mantêm relações sexuais com risco de gestação devem utilizar métodos contraceptivos eficazes, preferencialmente sem estrogênio para não interferir na hormonização afirmativa de gênero.

Por que a Medroxiprogesterona é indicada para homens trans?

O acetato de medroxiprogesterona de depósito (DMPA) é um progestágeno isolado de alta eficácia (LARC-like em adesão). Ele é frequentemente escolhido para homens trans porque não contém estrogênio, apresenta altas taxas de indução de amenorreia (desejada para reduzir disforia de gênero relacionada à menstruação) e está amplamente disponível no SUS.

Quais outros métodos sem estrogênio estão disponíveis no SUS?

Além da medroxiprogesterona trimestral, o SUS disponibiliza o DIU de cobre e a minipílula (noretisterona). No entanto, o DIU de cobre pode aumentar o fluxo menstrual inicialmente, o que pode ser indesejado para quem busca amenorreia, tornando o injetável trimestral uma opção superior neste contexto específico.

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