SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2023
Paulo, homem trans gay, 26 anos, comparece ao ambulatório de ginecologia, acompanhado de seu namorado José, um homem cis gênero de 30 anos, com quem começou a se relacionar há 5 meses. Paulo faz uso de testosterona e apresenta amenorreia há 2 anos. O casal encontra-se preocupado pois possuem um amigo homem trans que engravidou e eles costumam ter práticas de penetração vaginal. Desejam orientações sobre contracepção, assinale a alternativa correta.
Homens trans em testosterona e amenorreia ainda podem engravidar; contracepção eficaz é essencial.
A terapia com testosterona em homens trans pode induzir amenorreia e reduzir a fertilidade, mas não é um método contraceptivo confiável. A ovulação pode ocorrer, e a gestação é possível, tornando a discussão e oferta de métodos contraceptivos eficazes fundamental.
A saúde sexual e reprodutiva de homens trans é um tópico de crescente importância na ginecologia e na medicina geral, exigindo uma abordagem sensível e informada. A contracepção para homens trans é uma área crítica, pois a terapia hormonal masculinizante com testosterona, embora induza amenorreia e reduza a fertilidade, não é um método contraceptivo confiável. A gestação é possível, e a orientação adequada é essencial para prevenir gestações indesejadas. A fisiopatologia da fertilidade em homens trans sob testosterona envolve a supressão do eixo hipotálamo-hipófise-gonadal, levando à anovulação na maioria dos casos. No entanto, a supressão não é absoluta, e a ovulação pode ocorrer esporadicamente. Portanto, a amenorreia não deve ser interpretada como infertilidade completa. O diagnóstico da necessidade de contracepção baseia-se na atividade sexual com penetração vaginal e no desejo de evitar a gestação. As opções de tratamento contraceptivo para homens trans devem ser discutidas individualmente, considerando os riscos e benefícios. Métodos não hormonais (preservativos, diafragma, DIU de cobre) são seguros. Entre os métodos hormonais, aqueles que contêm apenas progestágenos (DIU hormonal, implante, injeção, pílulas) são geralmente preferidos, pois os contraceptivos combinados (com estrogênio) podem aumentar o risco de eventos tromboembólicos quando usados concomitantemente com testosterona. A laqueadura tubária é uma opção permanente para aqueles que não desejam gestações futuras.
Não, a terapia com testosterona não é um método contraceptivo confiável. Embora possa induzir amenorreia e reduzir a fertilidade, a ovulação pode ocorrer de forma intermitente, e a gestação é possível. Portanto, a contracepção adicional é essencial para homens trans sexualmente ativos que não desejam engravidar.
Métodos como preservativos (peniano e vaginal), diafragma, dispositivos intrauterinos (DIU de cobre ou hormonal) e métodos hormonais contendo apenas progestágenos (implantes, injeções, pílulas) são geralmente seguros e eficazes. Contraceptivos combinados (estrogênio e progestágeno) são geralmente contraindicados devido ao risco aumentado de eventos tromboembólicos em combinação com testosterona.
Sim, homens trans podem engravidar mesmo apresentando amenorreia induzida pela testosterona. A supressão da ovulação não é garantida, e a fertilidade pode ser restaurada ou mantida em algum grau. É fundamental que a contracepção seja discutida e utilizada por aqueles que não desejam gestar.
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