INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2022
Uma paciente com 19 anos de idade, solteira, busca orientação médica em Unidade Básica de Saúde. Relata que teve duas gestações anteriores, sendo um parto a termo e um aborto, e que tem um filho vivo e saudável de 3 anos de idade. Informa que contraiu infecção pelo HIV há 2 anos e utiliza terapia antirretroviral há 6 meses. Está assintomática e sem sinais clínicos de patologias. Os exames de rotina mostram contagens de LT-CD4+ acima de 500 células/mm³ e carga virai indetectável. Ela refere início de um relacionamento com parceiro soropositivo de 35 anos de idade há 1 mês. Refere, ainda, que o parceiro tem dois filhos vivos saudáveis e que o casal não deseja ter filhos. Nessa situação, está indicado
HIV indetectável, parceiro soropositivo, sem filhos → contracepção hormonal + preservativo (dupla proteção).
Mesmo com carga viral indetectável, que previne a transmissão sexual do HIV (U=U, Indetectável = Intransmissível), o uso de preservativo ainda é recomendado para prevenção de outras ISTs. A contracepção hormonal é uma opção eficaz para evitar gravidez, especialmente quando não há desejo de filhos.
A orientação contraceptiva para pessoas vivendo com HIV (PVHIV) é um componente essencial do cuidado integral, visando tanto a prevenção de gestações indesejadas quanto a prevenção de outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Com os avanços da terapia antirretroviral (TARV), PVHIV podem alcançar e manter uma carga viral indetectável, o que significa que o vírus não é transmitido sexualmente (o conceito "Indetectável = Intransmissível" ou I=I). No entanto, a prevenção de outras ISTs permanece uma preocupação. Neste caso, a paciente tem HIV com carga viral indetectável e boa contagem de CD4, está em um relacionamento com parceiro soropositivo e não deseja ter filhos. A escolha do método contraceptivo deve considerar a eficácia na prevenção da gravidez e a proteção contra ISTs. Métodos contraceptivos hormonais (orais, injetáveis, implantes) são seguros e eficazes para PVHIV, sem interações significativas com a maioria das TARVs atuais. A associação do anticoncepcional hormonal com o uso de preservativo (dupla proteção) é a conduta mais indicada. O anticoncepcional garante a prevenção da gravidez, enquanto o preservativo oferece proteção contra outras ISTs, que ainda podem ser transmitidas mesmo com a carga viral do HIV indetectável. Métodos definitivos como laqueadura ou vasectomia, embora eficazes para contracepção, não oferecem proteção contra ISTs e são opções mais invasivas, geralmente consideradas após um aconselhamento mais aprofundado sobre o desejo reprodutivo futuro. O DIU de cobre também é uma opção eficaz para contracepção, mas não protege contra ISTs.
I=I significa que uma pessoa vivendo com HIV que está em terapia antirretroviral (TARV) e mantém uma carga viral indetectável por pelo menos seis meses não transmite o vírus sexualmente. Isso é um avanço crucial na desestigmatização e prevenção.
Embora a carga viral indetectável previna a transmissão do HIV, o preservativo ainda é essencial para prevenir outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), como sífilis, gonorreia, clamídia e herpes genital, que podem ser transmitidas independentemente da carga viral do HIV.
O DIU (de cobre ou hormonal) é uma opção segura e eficaz para mulheres com HIV, desde que não apresentem imunossupressão grave (CD4 < 200 células/mm³) ou infecções pélvicas ativas. A carga viral indetectável e a boa contagem de CD4 da paciente a tornam uma candidata adequada, mas a opção hormonal + preservativo oferece dupla proteção.
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