INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2015
Uma paciente de 20 anos de idade, gesta 2 para 1 aborto 1, procura atendimento médico para orientação quanto à contracepção. Desde os 8 anos de idade tem diagnóstico de epilepsia de difícil controle, estando atualmente em uso de carbamazepina (1.000 mg/dia) e ácido valproico (1.500 mg/dia). Diante desse quadro, seria mais recomendado:
Anticonvulsivantes indutores (Carbamazepina) ↓ eficácia de hormônios orais → DIU é preferencial.
Fármacos que induzem o citocromo P450 (como a carbamazepina) aceleram o metabolismo de estrogênios e progestagênios, reduzindo drasticamente a eficácia de métodos hormonais combinados.
O manejo da saúde reprodutiva em mulheres com epilepsia exige atenção às interações farmacológicas. Muitos fármacos antiepilépticos (FAEs) clássicos, como fenitoína, fenobarbital e carbamazepina, induzem o sistema microssomal hepático, o que reduz a eficácia de quase todos os métodos hormonais sistêmicos. O Dispositivo Intrauterino (DIU), seja de cobre ou liberador de levonorgestrel, é a opção ideal pois sua eficácia não depende do metabolismo hepático. Além disso, o ácido valproico é altamente teratogênico (risco de defeitos do tubo neural), reforçando a necessidade de um método de longa duração e alta eficácia (LARC) nesta população.
A carbamazepina é um potente indutor das enzimas do citocromo P450 (especialmente CYP3A4) no fígado. Isso aumenta a taxa de metabolismo e depuração dos hormônios esteroides presentes nos anticoncepcionais, levando a níveis séricos submeterapêuticos e risco de ovulação.
Diferente da carbamazepina, o ácido valproico é um inibidor enzimático, não um indutor. Portanto, ele não reduz a eficácia dos anticoncepcionais hormonais. No entanto, devido ao seu alto potencial teratogênico, a escolha de um método altamente eficaz (como o DIU) é mandatória para evitar gestações acidentais.
De acordo com os Critérios de Elegibilidade da OMS, os métodos de escolha para usuárias de indutores enzimáticos são o DIU de cobre ou o DIU de levonorgestrel (Categoria 1). O acetato de medroxiprogesterona injetável trimestral também pode ser usado (Categoria 1), enquanto métodos orais, adesivos e anéis são Categoria 3 (riscos superam benefícios).
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