Contracepção Segura: Enxaqueca com Aura e Tabagismo

PMFI - Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu (PR) — Prova 2022

Enunciado

Você recebe no acolhimento da Unidade de Saúde da Família na qual é médico, Jéssica, 23 anos, que relata desejo de não engravidar mais. Fala que ela e o marido já têm um filho e não têm mais condições de criar outros. Ela refere ainda que, por estar ansiosa, tem fumado mais do que os 5 cigarros habituais, porém não passando de 10 por dia. Relata ser portadora de enxaquecam desde a adolescência, fala que a luz incomoda e que vê brilhos quando vai ter crise. Nega outras comorbidades, dispaurenia ou sangramentos vaginais pós-coito ou anormais, ao exame físico sua PA está em 120x80 mmHg. Depois de perguntar sobre antecedentes pessoais obstétricos e conversar com ela sobre os métodos disponíveis, qual seria a opção de conduta mais adequada:

Alternativas

  1. A) Ofertar anticoncepcional oral combinado, já que ela fuma.
  2. B) Prescrever um anticoncepcional injetável combinado mensal, já que ela fuma.
  3. C) Encaminhar para o ginecologista, já que seu caso não é resolvido na Atenção Básica.
  4. D) Oferecer o DIU de cobre como uma das possibilidades de contracepção, já que tem enxaqueca.

Pérola Clínica

Enxaqueca com aura + tabagismo → Contraindicação absoluta para contraceptivos hormonais combinados (risco AVC). DIU de cobre é boa opção.

Resumo-Chave

Pacientes com enxaqueca com aura e tabagismo apresentam risco aumentado de eventos tromboembólicos, especialmente AVC isquêmico, sendo contraindicado o uso de contraceptivos hormonais combinados. O DIU de cobre, por ser um método não hormonal, é uma opção segura e eficaz.

Contexto Educacional

A escolha do método contraceptivo deve ser individualizada, considerando o perfil de saúde da paciente, seus desejos reprodutivos e os riscos associados a cada método. Em pacientes com comorbidades como enxaqueca com aura e tabagismo, a avaliação de risco cardiovascular e tromboembólico é primordial, especialmente na atenção básica, onde muitas vezes a primeira abordagem é realizada. A enxaqueca com aura é uma contraindicação absoluta para o uso de contraceptivos hormonais combinados (CHC), devido ao aumento significativo do risco de acidente vascular cerebral isquêmico. O tabagismo, mesmo em quantidades moderadas, também eleva o risco cardiovascular, e a combinação de tabagismo com CHC é particularmente perigosa, especialmente em mulheres acima de 35 anos. Portanto, métodos que contenham estrogênio devem ser evitados nessas pacientes. Nesse cenário, métodos contraceptivos não hormonais, como o DIU de cobre, ou métodos que contenham apenas progestagênio (DIU hormonal, implante subdérmico, pílulas de progestagênio) são as opções mais seguras e eficazes. O DIU de cobre, em particular, oferece contracepção de longa duração sem interferência hormonal, sendo uma excelente escolha para Jéssica. É fundamental que os profissionais de saúde estejam aptos a identificar essas contraindicações e oferecer alternativas seguras e adequadas.

Perguntas Frequentes

Por que contraceptivos hormonais combinados são contraindicados em pacientes com enxaqueca com aura?

Contraceptivos hormonais combinados aumentam o risco de eventos tromboembólicos, incluindo acidente vascular cerebral isquêmico. A enxaqueca com aura, por si só, já é um fator de risco para AVC, e a combinação com estrogênio potencializa esse risco, tornando-os contraindicados.

Qual o impacto do tabagismo na escolha do método contraceptivo?

O tabagismo, especialmente em mulheres com mais de 35 anos ou que fumam mais de 15 cigarros por dia, aumenta significativamente o risco cardiovascular e tromboembólico, sendo uma contraindicação relativa ou absoluta para contraceptivos hormonais combinados, dependendo da idade e quantidade de cigarros.

Quais métodos contraceptivos são seguros para mulheres com enxaqueca com aura e tabagismo?

Para mulheres com enxaqueca com aura e tabagismo, os métodos não hormonais, como o DIU de cobre, são opções seguras e altamente eficazes. Métodos apenas com progestagênio, como o DIU hormonal, implante ou pílulas de progestagênio, também podem ser considerados, pois não aumentam o risco de AVC.

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