FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2025
Paciente do sexo feminino, 24 anos de idade, nuligesta, com fluxo menstrual regular de 5 dias a cada 28 dias, acompanhada de cólicas intensas aliviadas com analgésico e anti-inflamatório, apresenta queixa de cefaleia pulsátil unilateral, associada a náuseas e episódios de escotomas visuais que precedem a cefaleia. Essas crises ocorrem principalmente no período pré-menstrual, com frequência de duas vezes nos últimos 6 meses. A paciente está em um relacionamento estável e deseja iniciar um método contraceptivo eficaz. Com relação ao quadro clínico descrito e levando em conta os critérios de elegibilidade para escolha de métodos contraceptivos, assinale a alternativa CORRETA que apresenta o método contraceptivo indicado para a paciente.
Enxaqueca com aura = contraindicação absoluta (Categoria 4 OMS) para contraceptivos hormonais combinados (CHC) devido ao risco aumentado de AVC isquêmico.
A presença de aura na enxaqueca é um fator de risco independente para AVC isquêmico. O estrogênio dos métodos combinados potencializa esse risco, tornando-os contraindicados. Métodos com apenas progestagênio, como o SIU-LNG, são seguros e eficazes, podendo também melhorar a dismenorreia.
A escolha de um método contraceptivo deve ser individualizada, levando em conta não apenas a eficácia e as preferências da paciente, mas também suas condições de saúde preexistentes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) publica critérios de elegibilidade médica para o uso de contraceptivos, que classificam as condições em 4 categorias de risco, sendo a categoria 4 uma contraindicação absoluta. A enxaqueca com aura é uma condição neurológica que se enquadra na Categoria 4 para o uso de qualquer método contraceptivo hormonal combinado (pílulas, adesivo, anel), que contenha estrogênio. Isso se deve ao risco significativamente elevado de acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico em mulheres que apresentam aura e utilizam estrogênio exógeno. Portanto, esses métodos são absolutamente contraindicados. Nesses casos, as opções seguras incluem métodos não hormonais (DIU de cobre, preservativos) e métodos contendo apenas progestagênio. Para a paciente do caso, que também sofre de cólicas intensas, o Sistema Intrauterino Liberador de Levonorgestrel (SIU-LNG) é uma excelente escolha. Além de ser um método contraceptivo de alta eficácia e seguro para quem tem enxaqueca com aura, o levonorgestrel liberado localmente no útero promove atrofia endometrial, resultando em redução significativa do fluxo menstrual e das cólicas.
A aura consiste em sintomas neurológicos focais, transitórios, que geralmente precedem a cefaleia. Os mais comuns são visuais, como escotomas (pontos cegos), pontos brilhantes ou linhas em zigue-zague. Menos frequentemente, podem ocorrer sintomas sensitivos (formigamento) ou de fala.
Tanto a enxaqueca com aura quanto o uso de estrogênio exógeno são fatores de risco independentes para acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico. A combinação dos dois aumenta o risco de forma sinérgica, tornando o uso de contraceptivos combinados inaceitável (Categoria 4 da OMS).
Embora o DIU de cobre seja seguro para pacientes com enxaqueca com aura por não conter hormônios, ele frequentemente aumenta o fluxo menstrual e as cólicas (dismenorreia). Como a paciente já apresenta cólicas intensas, o SIU-LNG é uma opção superior, pois além de seguro, tende a reduzir ou abolir as cólicas e o sangramento.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo