HIFA - Hospital Materno Infantil Francisco de Assis (ES) — Prova 2023
Paciente 26 anos, comparece ao seu consultório, pois convive há alguns anos com dispareunia e dismenorreia importantes, e recentemente recebeu diagnóstico de endometriose. Está sem método contraceptivo e deseja discutir sobre a melhor opção. Em relação ao seu histórico de saúde, revela ser portadora de epilepsia bem controlada com carbamazepina. De acordo com os critérios de elegibilidade, assinale a alternativa que apresenta o método MAIS adequado para essa paciente.
Endometriose + epilepsia em uso de carbamazepina → SIU liberador de levonorgestrel é o método mais adequado.
A carbamazepina é um indutor enzimático hepático que pode reduzir a eficácia de contraceptivos hormonais que contêm estrogênio ou progesterona em doses baixas (como pílulas combinadas ou pílulas de progesterona isolada). O SIU liberador de levonorgestrel age localmente no útero, minimizando a interação sistêmica e sendo altamente eficaz tanto para contracepção quanto para o controle dos sintomas da endometriose (dismenorreia, dispareunia). O DIU de cobre não trata a endometriose.
A paciente apresenta um cenário clínico complexo que exige uma escolha contraceptiva cuidadosa, considerando a endometriose, a epilepsia e o uso de carbamazepina. A endometriose, caracterizada por dismenorreia e dispareunia importantes, é uma condição que se beneficia do tratamento hormonal contínuo, geralmente com progesterona, para suprimir o crescimento do tecido endometrial ectópico. A epilepsia, por si só, não é uma contraindicação para a maioria dos métodos contraceptivos. No entanto, o uso de carbamazepina é um fator crucial. A carbamazepina é um potente indutor enzimático hepático, o que significa que ela acelera o metabolismo de muitos medicamentos, incluindo os hormônios contraceptivos (estrogênio e progesterona). Isso pode levar à falha contraceptiva se forem utilizados métodos com doses hormonais sistêmicas baixas, como pílulas combinadas ou pílulas de progesterona isolada. Nesse contexto, o sistema intrauterino (SIU) liberador de levonorgestrel (DIU hormonal) é a opção mais adequada. Ele libera levonorgestrel localmente no útero, exercendo um efeito terapêutico direto sobre a endometriose (reduzindo a dismenorreia e dispareunia) e minimizando a absorção sistêmica, o que o torna menos suscetível à interação com a carbamazepina. O DIU de cobre, embora não interaja com a carbamazepina, não oferece benefício terapêutico para a endometriose e pode até piorar a dismenorreia.
A carbamazepina é um potente indutor enzimático hepático (citocromo P450), acelerando o metabolismo dos hormônios contraceptivos (estrogênio e progesterona), o que reduz suas concentrações plasmáticas e, consequentemente, sua eficácia contraceptiva.
O SIU liberador de levonorgestrel libera progesterona diretamente no útero, causando atrofia do endométrio e das lesões endometrióticas. Isso resulta em redução significativa da dismenorreia, dispareunia e sangramento, além de ser um excelente método contraceptivo.
Para pacientes em uso de indutores enzimáticos, métodos não hormonais (DIU de cobre) ou métodos hormonais que não sofrem metabolismo hepático significativo ou que liberam hormônios localmente (SIU liberador de levonorgestrel, implante de etonogestrel) são geralmente preferidos.
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