HR Presidente Prudente - Hospital Regional de Presidente Prudente (SP) — Prova 2024
R.A.P., 45 anos, HAS, diabética, iniciou uso de anel vaginal para anticoncepção há 4 meses, por conta própria, após cirurgia bariátrica restritiva (gastrectomia vertical). Há uma semana apresentando tosse, febre e dispneia. No pronto socorro foi hospitalizada para suporte respiratório. O RT PCR para SRS- CoV-2 veio positivo. Ao EF: IMC 28kg/m², PA 180 x 100 mmHg. TC de tórax com extenso comprometimento pulmonar bilateral. Paciente foi encaminhada para UTI. Com base no caso clínico, assinale a alternativa que representa a melhor conduta ginecológica.
COVID-19 grave + HAS/DM/obesidade + anel vaginal (combinado) → alto risco trombótico. Suspender anel, considerar progestagênio isolado pós-alta.
Pacientes com COVID-19 grave, especialmente com comorbidades como HAS, DM e obesidade, apresentam risco trombótico significativamente aumentado. O uso de contraceptivos hormonais combinados (como o anel vaginal) é contraindicado nessas situações, sendo a suspensão imediata e a transição para métodos apenas com progestagênio a conduta mais segura após a estabilização clínica.
A escolha do método contraceptivo em pacientes com múltiplas comorbidades e condições agudas, como a COVID-19 grave, exige uma avaliação cuidadosa dos riscos e benefícios. Contraceptivos hormonais combinados, que contêm estrogênio, são conhecidos por aumentar o risco de eventos tromboembólicos venosos (TEV) e arteriais, especialmente em pacientes com fatores de risco adicionais. No caso apresentado, a paciente possui idade avançada (45 anos), hipertensão, diabetes, obesidade e uma infecção grave por COVID-19 com extenso comprometimento pulmonar, que por si só é um fator de risco significativo para TEV. A manutenção do anel vaginal, um método combinado, seria perigosa. A conduta correta é suspender imediatamente o método combinado e, após a alta hospitalar e estabilização clínica, considerar a introdução de um método contraceptivo que contenha apenas progestagênio, que não aumenta o risco trombótico. É fundamental que médicos residentes estejam familiarizados com os Critérios de Elegibilidade Médica para o Uso de Contraceptivos da OMS (MEC), que fornecem diretrizes claras sobre quais métodos são seguros para pacientes com diferentes condições de saúde. A prioridade é sempre a segurança da paciente, minimizando riscos de complicações graves como a trombose.
Pacientes com COVID-19 grave, especialmente aqueles internados em UTI, têm um risco aumentado de tromboembolismo venoso. Os contraceptivos combinados, por conterem estrogênio, elevam ainda mais esse risco, tornando-os contraindicados.
Fatores de risco incluem idade avançada (>35 anos), tabagismo, obesidade, hipertensão, diabetes com complicações vasculares, imobilização prolongada, cirurgia recente e condições pró-trombóticas como a COVID-19 grave.
Métodos contraceptivos que contêm apenas progestagênio (como pílulas de progestagênio isolado, implantes, DIU hormonal ou injetáveis trimestrais) são geralmente considerados mais seguros, pois não aumentam o risco de tromboembolismo venoso.
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