Contracepção em Pacientes com Múltiplos Fatores de Risco

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2022

Enunciado

Mulher de 38 anos, tabagista, referindo fluxo menstrual volumoso, nega comorbidades e deseja método contraceptivo da rede pública. No exame físico, PA 140/90 mmHg, IMC = 46,0 kg/m². Os exames atuais bioquímicos demonstram dislipidemia moderada, o ultrassom transvaginal mostra miomatose intramural com componente submucoso, o ultrassom de mamas mostra cistos mamários bilaterais, a citologia oncótica está normal. Qual opção mais adequada para contracepção disponível no serviço público (UBS)?

Alternativas

  1. A) DIU (dispositivo intrauterino) de Cobre.
  2. B) Contraceptivos hormonais orais combinados.
  3. C) SIU (sistema intra-uterino de levonorgestrel - 20 ng/24h).
  4. D) Acetato de medroxiprogesterona de depósito (injetável trimestral).

Pérola Clínica

Paciente com mioma, tabagismo, HAS e obesidade → contraceptivo apenas progestagênio (ex: AMPD) é a opção mais segura.

Resumo-Chave

A paciente apresenta múltiplos fatores de risco (tabagismo, hipertensão, obesidade, dislipidemia) que contraindicam contraceptivos combinados. Além disso, a miomatose com fluxo volumoso sugere um método que reduza o sangramento. O acetato de medroxiprogesterona de depósito (AMPD) é uma boa opção, pois é um progestagênio isolado e pode reduzir o sangramento menstrual.

Contexto Educacional

A escolha do método contraceptivo deve ser individualizada, considerando o perfil de saúde da paciente, suas comorbidades e fatores de risco. No caso apresentado, a paciente possui múltiplos fatores de risco cardiovascular (tabagismo, hipertensão, obesidade, dislipidemia) que contraindicam o uso de contraceptivos hormonais combinados devido ao risco aumentado de eventos tromboembólicos. Além disso, a presença de miomatose uterina com fluxo menstrual volumoso sugere a necessidade de um método que ajude a controlar o sangramento. Métodos que contêm apenas progestagênio, como o acetato de medroxiprogesterona de depósito (AMPD), implantes subdérmicos ou o sistema intrauterino de levonorgestrel (SIU-LNG), são opções seguras e eficazes. O AMPD, por ser injetável trimestral e disponível na rede pública, é uma excelente escolha, pois não contém estrogênio e frequentemente induz amenorreia. É fundamental que o médico avalie cuidadosamente o histórico da paciente e as contraindicações de cada método para garantir a segurança e a eficácia da contracepção. A educação sobre os benefícios e riscos de cada opção é essencial para a tomada de decisão compartilhada.

Perguntas Frequentes

Quais são as contraindicações absolutas para contraceptivos hormonais combinados?

As contraindicações incluem tabagismo em mulheres >35 anos, hipertensão não controlada, história de trombose venosa profunda ou embolia pulmonar, doença cardíaca isquêmica, AVC, enxaqueca com aura e câncer de mama.

Por que o acetato de medroxiprogesterona de depósito (AMPD) é uma boa opção para esta paciente?

O AMPD é um método de progestagênio isolado, não contendo estrogênio, o que o torna seguro para pacientes com fatores de risco cardiovascular. Além disso, ele causa amenorreia em muitas usuárias, o que é benéfico para pacientes com miomatose e fluxo menstrual volumoso.

O DIU de cobre seria uma boa opção para esta paciente com mioma e fluxo volumoso?

Não, o DIU de cobre pode aumentar o fluxo menstrual e a dismenorreia, o que seria contraproducente para uma paciente que já apresenta miomatose com fluxo volumoso. O SIU de levonorgestrel seria uma opção melhor para o mioma, mas a questão pede a mais adequada disponível na UBS.

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