USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2025
Mulher de 20 anos procura a Unidade de Saúde da Família para iniciar Planejamento Familiar. Tem um filho de 6 anos e relata a ocorrência de um aborto. Após a gestação ficou hipertensa e, atualmente, apresenta um IMC: 30kg/m2. Apresenta anticorpo antifosfolipídeo positivo, mas a doença está controlada. Ela deseja fazer laqueadura, pois a situação financeira não está nada fácil, só o esposo trabalha e diz que não pode engravidar novamente de jeito nenhum. Como Médico de Família e Comunidade desta Unidade, qual conduta você indicaria?
SAF, hipertensão e obesidade contraindicam estrogênio. POP é segura; laqueadura tem critérios legais (idade, filhos).
Pacientes com Síndrome do Anticorpo Antifosfolipídeo (SAF), hipertensão e obesidade apresentam alto risco trombótico, contraindicando o uso de anticoncepcionais combinados (com estrogênio). Nesses casos, a pílula anticoncepcional apenas de progestágeno (POP) é uma opção segura e eficaz. A laqueadura, embora desejada, possui critérios legais de idade e número de filhos que devem ser respeitados.
O planejamento familiar é um direito reprodutivo fundamental, e o médico de família e comunidade desempenha um papel crucial na orientação e oferta de métodos contraceptivos. A escolha do método deve ser individualizada, considerando o perfil de saúde da paciente, seus desejos e as contraindicações existentes. Em pacientes com condições médicas como hipertensão, obesidade e Síndrome do Anticorpo Antifosfolipídeo (SAF), a avaliação do risco trombótico é primordial. Anticoncepcionais hormonais combinados, que contêm estrogênio, são contraindicados em pacientes com SAF, hipertensão não controlada e obesidade, devido ao risco aumentado de eventos tromboembólicos. Nesses casos, os métodos contraceptivos que contêm apenas progestágeno, como a pílula anticoncepcional apenas de progestágeno (POP), implantes ou DIU hormonal, são opções seguras e eficazes. O DIU de cobre também é uma excelente alternativa não hormonal, sem riscos trombóticos. É importante também orientar a paciente sobre as opções de contracepção definitiva, como a laqueadura. No entanto, o médico deve estar ciente dos critérios legais para sua realização no Brasil (idade mínima de 25 anos OU dois filhos vivos, e prazo de 60 dias). Para residentes, a capacidade de oferecer aconselhamento contraceptivo baseado em evidências e respeitando a legislação é uma habilidade essencial na prática clínica.
Anticoncepcionais hormonais combinados são contraindicados em pacientes com histórico de eventos tromboembólicos (TEV), hipertensão arterial não controlada, doença cardíaca isquêmica, acidente vascular cerebral, enxaqueca com aura, tabagismo em mulheres >35 anos, câncer de mama atual, doença hepática grave e Síndrome do Anticorpo Antifosfolipídeo (SAF).
A POP é segura porque não contém estrogênio, o componente hormonal associado ao aumento do risco trombótico. O progestágeno isolado não eleva significativamente o risco de eventos tromboembólicos, sendo uma excelente opção para pacientes com contraindicações ao estrogênio, como as com SAF, hipertensão ou obesidade.
No Brasil, a laqueadura pode ser realizada em mulheres com idade mínima de 25 anos OU que tenham pelo menos 2 filhos vivos. Além disso, é exigido um prazo mínimo de 60 dias entre a manifestação do desejo e a realização do procedimento, para garantir a decisão consciente e informada da paciente.
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