UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2021
Mulher, 68 anos de idade, foi admitida no PS com PA = 80/30 mmHg, FC = 120 bpm, FR = 30 ipm, SpO₂; = 88%, temperatura = 39º C e tempo de enchimento capilar (TEC) = 4 s. Qual das medidas abaixo é a mais adequada para reduzir a VO2 do paciente.
Paciente chocado e febril → Reduzir febre (Dipirona IV) para ↓ VO2 e demanda metabólica.
Em pacientes com choque, especialmente séptico, a febre aumenta significativamente o consumo de oxigênio (VO2) e a demanda metabólica. Reduzir a febre com um antitérmico como a dipirona intravenosa é uma medida eficaz para diminuir essa demanda, otimizando o balanço entre oferta e consumo de oxigênio, o que é crucial para a recuperação tecidual e hemodinâmica.
O manejo do choque, especialmente o choque séptico, é um dos maiores desafios na medicina de emergência e terapia intensiva. A condição é caracterizada por uma disfunção circulatória e metabólica que leva à hipoperfusão tecidual e hipóxia celular. A febre, um sintoma comum na sepse, agrava essa situação ao aumentar significativamente o consumo de oxigênio (VO2) e a demanda metabólica do organismo. Em um paciente chocado, onde a oferta de oxigênio aos tecidos já está comprometida, o aumento da demanda metabólica pela febre pode levar a um desequilíbrio crítico entre oferta e consumo, resultando em isquemia e disfunção orgânica progressiva. Portanto, uma das estratégias terapêuticas é otimizar esse balanço, não apenas aumentando a oferta (com fluidos, vasopressores, inotrópicos), mas também reduzindo a demanda. O uso de antitérmicos, como a dipirona intravenosa, é uma medida eficaz para diminuir a temperatura corporal e, consequentemente, o VO2. Para residentes, é vital entender que o tratamento do choque vai além da estabilização hemodinâmica. A otimização do metabolismo e a redução da demanda de oxigênio são componentes cruciais para melhorar o prognóstico. A dipirona, por sua rápida ação e perfil de segurança em pacientes hemodinamicamente instáveis (quando administrada corretamente), é uma escolha adequada para o controle da febre nesse cenário, contribuindo para a recuperação do paciente.
A febre é uma resposta inflamatória que acelera o metabolismo celular, aumentando a taxa metabólica basal e, consequentemente, a demanda por oxigênio e nutrientes. Em um estado de choque, onde a oferta de oxigênio já está comprometida, esse aumento da demanda agrava a disfunção tecidual.
Reduzir a VO2 é crucial para equilibrar a oferta e a demanda de oxigênio nos tecidos. Em estados de choque, a oferta é insuficiente; diminuir a demanda ajuda a prevenir ou mitigar a isquemia e a disfunção orgânica, melhorando o prognóstico do paciente.
Outras medidas incluem sedação para reduzir agitação e trabalho respiratório, ventilação mecânica para diminuir o trabalho dos músculos respiratórios, controle da dor, e tratamento da causa subjacente do choque e da febre.
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