UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2020
Paciente de 57 anos consultou por dor e edema no pé esquerdo com 24 horas de evolução. Descreveu episódio semelhante no pé direito há menos de 1 ano. Relatou ser portador de hipertensão arterial sistêmica, diabetes melito tipo 2, dislipidemia e obesidade, em tratamento irregular com hidroclorotiazida, enalapril, metformina e AAS. Fazia uso diário de aproximadamente 700 ml de cerveja há cerca de 5 anos. Informou que o pai era portador de espondilite anquilosante. Ao exame físico, encontrava-se em bom estado geral, com pressão arterial de 156/88 mmHg, temperatura axilar de 37,4°C, frequência cardíaca de 88 bpm e frequência respiratória de 20 mpm. Havia dor à mobilização passiva, edema e intenso eritema na primeira articulação metatarsofalângica esquerda. Qual o diagnóstico mais provável?
Podagra + fatores de risco (álcool, obesidade, diuréticos) = Gota até prova em contrário.
A apresentação clínica de dor intensa, edema e eritema na primeira articulação metatarsofalângica (podagra), associada a fatores de risco como obesidade, diabetes, hipertensão, uso de diuréticos e consumo de álcool, é altamente sugestiva de gota. O histórico de episódios semelhantes reforça o diagnóstico.
A gota é uma doença inflamatória causada pela deposição de cristais de urato monossódico em articulações e tecidos, resultante da hiperuricemia. É a artrite inflamatória mais comum em homens adultos, com prevalência crescente devido ao aumento de fatores de risco como obesidade, síndrome metabólica e uso de diuréticos. A compreensão de sua fisiopatologia, que envolve a superprodução ou subexcreção de ácido úrico, é fundamental para o manejo. O diagnóstico da gota é frequentemente clínico, especialmente em apresentações clássicas como a podagra (inflamação da primeira articulação metatarsofalângica). A história de episódios recorrentes, o perfil do paciente (homem de meia-idade com comorbidades metabólicas e consumo de álcool) e a resposta a anti-inflamatórios são indicativos. Embora a dosagem de ácido úrico sérico seja importante, ela pode não estar elevada durante um ataque agudo. A confirmação definitiva é feita pela identificação de cristais de urato monossódico no líquido sinovial, mas nem sempre é necessária na prática clínica. O tratamento da crise aguda visa aliviar a dor e a inflamação, utilizando anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), colchicina ou corticosteroides. O manejo a longo prazo foca na redução dos níveis de ácido úrico para prevenir novos ataques e complicações, como tofos e nefropatia úrica. Isso envolve mudanças no estilo de vida (dieta, álcool, peso) e medicamentos uricosúricos ou inibidores da xantina oxidase. É crucial abordar as comorbidades associadas para um tratamento integral.
Os principais fatores de risco incluem hiperuricemia, obesidade, síndrome metabólica (diabetes, hipertensão, dislipidemia), consumo excessivo de álcool (especialmente cerveja), dieta rica em purinas, uso de diuréticos tiazídicos e insuficiência renal. Histórico familiar também é relevante.
A gota aguda tipicamente se manifesta com dor súbita e intensa, inchaço, calor e eritema em uma única articulação, mais comumente a primeira metatarsofalângica (podagra). Os ataques são autolimitados, mas podem se tornar recorrentes e poliarticulares se não tratados.
Embora a hiperuricemia seja um pré-requisito para a gota, níveis séricos de ácido úrico podem estar normais durante um ataque agudo. O diagnóstico definitivo é feito pela identificação de cristais de urato monossódico no líquido sinovial. No entanto, a clínica e os fatores de risco são fortemente sugestivos.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo