INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2015
O médico de uma Unidade Básica de Saúde da região central de um município de grande porte é chamado a avaliar uma adolescente, que aparenta ter entre 15 e 18 anos, muito emagrecida. A moça está em precárias condições de higiene, roupas sujas e rasgadas, descalça. Ela relata estar morando na rua há 6 meses e refere estar grávida, sem menstruar há 4 meses. Conta que é usuária de crack e bebida alcoólica há três anos, mas está em abstinência há 5 dias. Ela não consegue fornecer muitas informações, não tem documentos e pouco fala sobre sua procedência, mas afirma que não tem família na cidade. Não tem prontuário ou registro no SUS. Diante do quadro apresentado, qual opção representa um plano terapêutico inicial apropriado?
Gestante em situação de rua + crack → Acolhimento + Redução de Danos + Consultório na Rua (Vínculo > Internação).
O manejo de populações em extrema vulnerabilidade deve priorizar a criação de vínculo e a redução de danos, utilizando equipes territoriais móveis para garantir o acesso à saúde sem barreiras burocráticas.
O atendimento a pacientes em situação de rua exige que o médico e a equipe de saúde superem a visão puramente biomédica e burocrática. A ausência de documentos ou prontuário não deve ser barreira para o atendimento inicial. Neste caso, a paciente apresenta múltiplas vulnerabilidades: gravidez sem pré-natal, desnutrição, uso de crack e falta de rede de apoio. O plano terapêutico correto foca na equidade: levar a saúde até ela através do Consultório na Rua e utilizar a lógica da redução de danos para garantir que ela permaneça em acompanhamento, protegendo tanto a saúde materna quanto a fetal de forma humanizada.
O Consultório na Rua (eCR) é uma estratégia da Atenção Básica do SUS destinada a ampliar o acesso da população em situação de rua aos serviços de saúde. As equipes são multiprofissionais e realizam atividades de forma itinerante, indo até onde o paciente está. O foco é o acolhimento, a criação de vínculo e o cuidado integral, lidando com problemas que vão desde ferimentos físicos até saúde mental e uso de substâncias, sempre respeitando a autonomia e as condições de vida dessa população.
A redução de danos é uma abordagem de saúde pública que visa minimizar as consequências negativas do uso de drogas sem necessariamente exigir a abstinência imediata como única meta. Para usuários de crack, isso inclui oferecer kits de higiene, orientar sobre o uso de protetores labiais para evitar feridas (portas de entrada para infecções), garantir hidratação e alimentação, e promover o autocuidado. O objetivo é manter o indivíduo vivo e conectado aos serviços de saúde, facilitando intervenções futuras.
O Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF) atua como suporte especializado às equipes de referência (como a eCR ou a Unidade Básica). Ele oferece retaguarda em áreas como psicologia, assistência social e nutrição. No caso de uma gestante em situação de rua, o NASF auxilia na construção de um Projeto Terapêutico Singular (PTS), articulando a rede de proteção social e garantindo que as necessidades complexas da paciente sejam atendidas de forma interdisciplinar.
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