MedEvo Simulado — Prova 2026
Letícia, 29 anos, G2P1 (parto normal anterior), com 31 semanas de gestação, comparece à consulta de pré-natal referindo uso de nimesulida por conta própria nos últimos quatro dias devido a uma odontalgia intensa. Ao realizar a ultrassonografia obstétrica com Doppler para avaliação de rotina, o examinador observa os seguintes parâmetros: | Parâmetro Ultrassonográfico | Resultado Encontrado | Valor de Referência (p50) | | :--- | :---: | :---: | | Velocidade de Pico Sistólico (VPS) - Ducto Arterioso | 2,4 m/s | 1,2 - 1,4 m/s | | Índice de Pulsatilidade (IP) - Ducto Arterioso | 1,0 | 2,1 - 2,3 | | Diâmetro do Ventrículo Direito | Aumentado | Normal para a IG | | Regurgitação Tricúspide | Presente (Holossistólica) | Ausente | Com base na fisiologia cardiovascular fetal e nos achados apresentados, assinale a alternativa que descreve corretamente a fisiopatologia do caso:
AINEs no 3º trimestre → ↓ Prostaglandinas → Constrição do Ducto Arterioso → Sobrecarga de VD.
O uso de nimesulida (AINE) inibe a síntese de prostaglandinas (PGE2), que são essenciais para manter o ducto arterioso patente. A constrição ductal aumenta a resistência ao fluxo do ventrículo direito, causando sobrecarga pressórica, dilatação ventricular e regurgitação tricúspide.
O ducto arterioso é uma estrutura vascular vital na vida fetal, desviando o sangue do tronco pulmonar para a aorta, contornando os pulmões não funcionantes. Sua patência é mantida por níveis elevados de prostaglandinas (especialmente PGE2) e baixa tensão de oxigênio. O uso de Anti-inflamatórios Não Esteroidais (AINEs), como a nimesulida, inibe as enzimas COX-1 e COX-2, reduzindo a síntese de prostaglandinas e desencadeando a constrição ductal. Os achados ecocardiográficos de alta velocidade sistólica e baixo índice de pulatilidade no ducto, associados à regurgitação tricúspide e aumento do ventrículo direito, confirmam o diagnóstico de constrição ductal farmacológica. Esta condição é uma emergência obstétrica potencial, exigindo a suspensão imediata da medicação e monitoramento rigoroso da vitalidade fetal, dada a associação com oligoâmnio (por redução da perfusão renal fetal) e disfunção miocárdica.
A constrição do ducto arterioso é identificada pelo Doppler através do aumento da Velocidade de Pico Sistólico (VPS > 1,4 m/s) e da redução do Índice de Pulsatilidade (IP < 1,9). No caso clínico, a VPS de 2,4 m/s e o IP de 1,0 são sinais clássicos de estreitamento do lúmen ductal, o que força o sangue a passar em maior velocidade e com menor variação entre sístole e diástole, indicando alta resistência local.
Na circulação fetal, o ventrículo direito (VD) ejeta a maior parte do sangue para a aorta descendente através do ducto arterioso. Quando o ducto sofre constrição (devido à queda de prostaglandinas), a pós-carga do VD aumenta subitamente. O ventrículo direito não consegue vencer essa resistência elevada, resultando em sobrecarga pressórica, dilatação das câmaras direitas e, eventualmente, insuficiência valvar tricúspide por alargamento do anel valvar.
A constrição ductal intrauterina pode levar à insuficiência cardíaca fetal e hidropisia. No nascimento, a principal complicação é a Hipertensão Pulmonar Persistente do Recém-Nascido (HPPRN). Isso ocorre porque a sobrecarga pressórica crônica in utero causa hipertrofia da camada muscular das arteríolas pulmonares, impedindo a queda fisiológica da resistência vascular pulmonar após o clampeamento do cordão e o início da respiração.
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