HSJ - Hospital São José (PR) — Prova 2024
Paciente de 2 meses de idade, sexo feminino, nascida de termo, adequada para idade gestacional, sem intercorrências no período neonatal e em aleitamento materno exclusivo, passou em atendimento na unidade básica de saúde. Mãe referiu que a menor está há 5 dias sem evacuar. Nega diminuição das mamadas, vômitos ou irritabilidade. Ao exame físico, paciente em bom estado geral, hidratada, abdome globoso, flácido e depressível, sem massas ou aumento de vísceras. Ganho de peso desde a última consulta de 28 gramas/dia. A conduta indicada para a queixa apresentada pela mãe é:
Lactente amamentado, bom ganho peso, sem sintomas → até 7-10 dias sem evacuar é normal. Conduta expectante.
Em lactentes em aleitamento materno exclusivo, a frequência de evacuações pode variar amplamente, sendo normal que alguns bebês evacuem apenas uma vez a cada 7-10 dias, desde que estejam em bom estado geral, com bom ganho de peso e sem sinais de desconforto. A conduta é expectante, sem intervenções desnecessárias.
A constipação em lactentes é uma queixa comum na pediatria, mas é crucial diferenciar a constipação funcional da variação normal da frequência evacuatória, especialmente em bebês em aleitamento materno exclusivo. Nesses bebês, as fezes são tipicamente moles e amareladas, e a frequência pode ser muito variável, desde várias vezes ao dia até uma vez a cada 7-10 dias, sem que isso represente um problema. Isso ocorre porque o leite materno é quase totalmente absorvido, deixando pouco resíduo para formar fezes. A fisiopatologia da "constipação" aparente em bebês amamentados é, na verdade, uma adaptação fisiológica. O sistema digestório do lactente é imaturo, e a eficiência do leite materno resulta em menor volume fecal. O diagnóstico diferencial inclui condições mais sérias como aganglionose colônica (doença de Hirschsprung), mas estas geralmente se apresentam com sintomas mais graves, como distensão abdominal, vômitos e falha de crescimento, e não apenas baixa frequência evacuatória isolada em um bebê saudável. A conduta para um lactente em aleitamento materno exclusivo, com bom estado geral, bom ganho de peso e sem outros sintomas além da baixa frequência evacuatória, é expectante. Não há necessidade de introduzir água, sucos, chás, laxantes ou modificar a dieta da mãe. A intervenção só é indicada se houver sinais de constipação verdadeira (fezes duras, dor, desconforto) ou outros sinais de alarme.
Em bebês amamentados exclusivamente, a frequência pode variar de várias vezes ao dia a uma vez a cada 7-10 dias, especialmente após as primeiras semanas de vida, sendo normal se o bebê estiver bem.
A constipação real envolve fezes duras, secas e dolorosas, acompanhadas de desconforto, irritabilidade ou dificuldade para evacuar. A baixa frequência sem esses sintomas não é constipação.
Preocupe-se se o bebê apresentar fezes duras, dor ao evacuar, irritabilidade, vômitos, distensão abdominal, baixo ganho de peso ou diminuição das mamadas, buscando avaliação médica.
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