Constipação Pediátrica: Sinais de Alarme e Retardo de Crescimento

UNIATENAS - Centro Universitário Atenas (MG) — Prova 2023

Enunciado

Paciente masculino, 1 ano de vida, é trazido ao ambulatório de pediatria para consulta de puericultura. Mãe refere que o filho recusa muito os alimentos e, quando come, aceita muito pouco. Nega vômitos, uso de medicamentos. Hábito intestinal: uma evacuação com fezes endurecidas a cada quatro dias. Nega controle esfincteriano. Exame físico: bom estado geral, corado, IMC percentil 3 para a idade; abdome: globoso, flácido, indolor à palpação. O sinal de alarme a ser considerado no diagnóstico diferencial da constipação intestinal é:

Alternativas

  1. A) Saciedade precoce.
  2. B) Recusa alimentar.
  3. C) Incontinência retentiva.
  4. D) Retardo de crescimento.
  5. E) Não há sinal de alarme neste caso.

Pérola Clínica

Constipação em criança + retardo de crescimento → sinal de alarme, investigar causas orgânicas.

Resumo-Chave

O retardo de crescimento (IMC percentil 3) em uma criança com constipação crônica é um sinal de alarme importante. Ele sugere uma causa orgânica subjacente para a constipação, como doença de Hirschsprung, hipotireoidismo ou doença celíaca, que requer investigação imediata, e não apenas constipação funcional.

Contexto Educacional

A constipação intestinal é uma queixa comum na pediatria, afetando uma parcela significativa das crianças. Embora a maioria dos casos seja de constipação funcional, é crucial para o residente saber identificar os sinais de alarme que indicam uma possível causa orgânica subjacente. O retardo de crescimento, como no caso apresentado, é um desses sinais, sugerindo uma condição que afeta o desenvolvimento global da criança e exige atenção imediata. A fisiopatologia da constipação funcional geralmente envolve fatores dietéticos (baixa ingestão de fibras e líquidos), comportamentais (retenção voluntária de fezes) e psicossociais. Já as causas orgânicas podem incluir anomalias anatômicas (doença de Hirschsprung), distúrbios neurológicos, metabólicos (hipotireoidismo, hipercalcemia) ou doenças sistêmicas (doença celíaca, fibrose cística). O diagnóstico diferencial é essencial e inicia-se com uma anamnese detalhada e exame físico minucioso, buscando os sinais de alarme. A conduta inicial para constipação funcional envolve orientações dietéticas (aumento de fibras e líquidos), modificações comportamentais e, se necessário, laxativos. No entanto, na presença de sinais de alarme, a investigação deve ser aprofundada com exames complementares (exames de sangue, radiografias, manometria anorretal, biópsia retal) para identificar e tratar a causa orgânica específica, garantindo o desenvolvimento saudável da criança.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de alarme na constipação intestinal pediátrica?

Sinais de alarme incluem retardo de crescimento, início da constipação no período neonatal, eliminação tardia de mecônio (>48h), distensão abdominal grave, vômitos biliosos, fístula perianal, ausência de fezes na ampola retal e alterações neurológicas. A presença de qualquer um desses exige investigação.

Por que o retardo de crescimento é um sinal de alarme importante na constipação?

O retardo de crescimento sugere que a constipação pode não ser apenas funcional, mas sim um sintoma de uma doença orgânica subjacente que afeta a absorção de nutrientes ou o metabolismo, como doença de Hirschsprung, hipotireoidismo, doença celíaca ou outras condições sistêmicas que comprometem o desenvolvimento.

Como diferenciar constipação funcional de causas orgânicas em crianças?

A constipação funcional é mais comum, geralmente sem sinais de alarme, e responde a medidas dietéticas e comportamentais. Causas orgânicas são menos frequentes, apresentam sinais de alarme e requerem investigação específica (exames de imagem, biópsia retal, testes hormonais) para diagnóstico e tratamento direcionado.

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