UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024
Criança escolar, está sendo atendida com queixas de infecção urinária de repetição e mãe afirma que a filha tem boa higiene e que já realizou investigação urológica, sem anormalidades. Também relatou enurese recentemente. Durante a anamnese referiu evacuações diárias, não sabe informar esforço, com fezes bem formadas, calibrosas e longas. Ao exame, apresenta timpanismo abdominal e dor discreta e fezes palpáveis em FIE. Assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico que deve ser considerado:
Criança com ITU de repetição + enurese + fezes calibrosas/palpáveis → suspeitar de constipação intestinal funcional.
A constipação intestinal funcional em crianças é uma causa comum de infecções urinárias de repetição e enurese. A massa fecal no reto pode comprimir a bexiga, dificultar o esvaziamento completo e levar à disfunção miccional, predispondo a infecções e perda urinária.
A constipação intestinal funcional é uma condição gastrointestinal comum na infância, caracterizada por dificuldade ou infrequência nas evacuações, sem causa orgânica identificável. Sua prevalência é alta e, quando não tratada, pode levar a complicações significativas, incluindo impactação fecal e disfunções do trato urinário inferior, como infecções urinárias de repetição e enurese, impactando a qualidade de vida da criança e da família. A fisiopatologia da relação entre constipação e sintomas urinários envolve a compressão da bexiga pelo reto distendido por fezes, alterando sua capacidade e função. Além disso, a disfunção do assoalho pélvico associada à constipação pode levar à micção disfuncional. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios de Roma IV, e o exame físico pode revelar fezes palpáveis no abdome. É crucial suspeitar de constipação em crianças com sintomas urinários inexplicáveis. O tratamento da constipação funcional é multifacetado, incluindo desimpactação fecal, manutenção com laxantes, modificações dietéticas e comportamentais. O manejo adequado não só alivia os sintomas intestinais, mas também é fundamental para a resolução das queixas urinárias secundárias. O prognóstico é geralmente bom com tratamento adequado, mas a adesão a longo prazo é essencial para evitar recidivas.
Os sinais incluem evacuações infrequentes ou dolorosas, fezes grandes e calibrosas, dor abdominal, timpanismo, fezes palpáveis no abdome, e sintomas urinários como infecção urinária de repetição e enurese.
A massa fecal acumulada no reto pode comprimir a bexiga, dificultando seu esvaziamento completo e levando à retenção de urina. Isso cria um ambiente propício para o crescimento bacteriano e infecções, além de causar disfunção do assoalho pélvico e enurese.
A conduta inicial envolve educação dos pais, mudanças dietéticas (aumento de fibras e líquidos), treinamento de toalete e, frequentemente, o uso de laxantes osmóticos (como polietilenoglicol) para amolecer as fezes e facilitar a evacuação.
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